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Após 100 mil mortes por Covid-19, ministro interino da Saúde diz apoiar 'medidas de afastamento social'



O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse nessa segunda-feira (10) que o governo apoia o isolamento social -- divergindo do próprio discurso e das ações da Presidência da República.

Em evento de inauguração de uma unidade de processamento de testes da Covid-19 na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, ele também defendeu a necessidade de tratamento precoce para impedir o aumento de mortes na pandemia.




"Medidas preventivas e afastamento social são medidas de gestão dos municípios e estados, e nós apoiamos todas elas, porque quem sabe o que é necessário naquele momento precisa de apoio, e nós apoiamos", declarou Pazuello.
"Mas fica a lembrança de que, independentemente da medida que se tome, tem que estar aliada à capacidade de triar e procurar se as pessoas estão ou não com sintomas, o tempo todo", emendou.

A declaração contraria a postura do próprio general desde que assumiu interinamente o Ministério da Saúde.




Em maio, ele foi alertado por um comitê técnico da pasta que, sem isolamento social efetivo, o país poderia levar até dois anos anos para controlar a pandemia.

Mas, ao contrário do alerta, o ministro interino orientou a reabertura das atividades econômicas, quando o país já tinha mais de um milhão de casos da doença.




Também em maio, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a manutenção dessas atividades. “O governo federal, se depender de nós, estava tudo aberto com isolamento vertical e ponto final”, afirmou Bolsonaro.

'Número não faz diferença'

Pela primeira vez desde o sábado (8), quando o país atingiu a marca de 100 mil mortos pela Covid-19, Pazuello citou nesta segunda-feira o número de vítimas.




“Não é um número. Todos os dias sofremos as perdas. Não é um número -- 95 mil, 98 mil, 100, ou 101 -- que vai fazer a diferença. O que vai fazer a diferença é cada um brasileiro que se perde”, disse ele.

'Sangramento'

Pazuello comparou a situação da pandemia no Brasil a uma hemorragia ao dizer que o país "precisa entender como parar o sangramento".




Para ele, diagnóstico precoce e tratamento imediato são as ações necessárias para conter o aumento do número de óbitos e defendeu a necessidade de união de toda a sociedade para combater a disseminação da doença.

“Não existem, nesse momento, diferenças, partidárias ou ideológicas. Nós somos todos brasileiros combatendo, dia a dia, da melhor forma nos dedicando para que não haja mais mortos no nosso país", disse o general.




"Já perdemos 100 mil brasileiros com nome, identidade e família. E podem acreditar, nós estamos todos os dias revendo nossos protocolos, procurando o que tem de melhor e alterando aquilo que não vinha dando certo”, reforçou o ministro interino.

Para o ministro interino, "é fundamental um trabalho preventivo".




Pazuello cobrou que a população procure atendimento médico diante de qualquer sintoma da doença. "Não está correto ficar em casa doente, com sintomas, até passar mal com falta de ar. Isso não funciona. Não funcionou, e deu no que deu. E há dois meses nós mudamos esse protocolo. Diante de qualquer sintoma, procure uma unidade básica de saúde”, defendeu o ministro.

*Com informações de G1.






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