Ele era uma criança muito boa, mas sofreu lavagem cerebral, diz mãe de Osama Bin Laden


Alia Ghanem, de 70 anos, disse ao jornal britânico 'The Guardian' que o filho mudou após entrar para universidade.



O terrorista Osama Bin Laden era uma criança boa, mas sofreu lavagem cerebral quando entrou na universidade. A afirmação é da mãe dele, Alia Ghanem, de 70 anos, em sua primeira entrevista à imprensa, publicada no jornal britânico “The Guardian” nesta sexta-feira (3).

O líder da Al-Qaeda foi o responsável pelo ataque contra as Torres Gêmeas, em Nova York, em 11 de setembro de 2001, que deixou cerca de 3 mil mortos. O terrorista foi morto em maio de 2011, em uma operação do serviço de inteligência americano no Paquistão.

Ghanem, que mora na Arábia Saudita, conta que seu primogênito era tímido, mas que se tornou uma figura forte enquanto estudava economia na Universidade King Abdulaziz, na cidade saudita de Jeddah, onde se radicalizou. “As pessoas na universidade mudaram ele. Ele se tornou um homem diferente”, disse.

Foi na universidade que ele encontrou Abdullah Azzam, um membro do grupo radical Irmandade Muçulmana, que se tornou o seu conselheiro espiritual.

“Ele foi uma criança muito boa até conhecer algumas pessoas que praticamente fizeram uma lavagem cerebral quando ele tinha seus 20 e poucos anos. Você pode chamar isso de culto”, afirmou Alia Ghanem.

“Eles conseguiram dinheiro para a causa deles. Eu sempre dizia a ele para ficar longe deles, e ele nunca iria admitir para mim o que ele estava fazendo, porque me amava muito”, disse.

A mãe concedeu a entrevista ao lado de dois irmãos de Bin Laden - Ahmad e Hassan, e do seu segundo marido, Mohammed al-Attas, que o criou desde os 3 anos. Ela lembra que o filho era "muito sério e realmente gostava de estudar".

A família conta que, no início dos anos 80, Osama viajou para o Afeganistão para combater a ocupação russa. O irmão Hassan diz que no início todos estavam "muito orgulhosos" dele.

A mãe diz que ele gastou muito dinheiro no Afeganistão, como se estivesse investindo na empresa familiar. Quando questionada se ela nunca imaginou que o filho pudesse ter se tornado um jihadista, ela diz: “Isso nunca passou pela minha cabeça”.

Ao notar o que tinha acontecido, a família se sentiu “extremamente chateada”.

“Eu não queria que nada disso acontecesse. Por que ele jogaria tudo fora assim?”, indaga a mãe.

A família viu Osama pela última vez em 1999, na província afegã de Kandahar. “Ele ficou muito feliz em nos receber”, lembra a mãe.

Ghanem nasceu na Síria, em uma família alauíta – que é uma das correntes do islamismo xiita. Em meados da década de 1950, ela se mudou para a Arábia Saudita, onde em 1957 Osama nasceu. Ela se divorciou do pai de Osama e, três anos depois, casou-se com al-Attas, então administrador do império Bin Laden.

‘Nos sentimos envergonhados’

Aproveitando que a mãe se retirou da sala onde concedia a entrevista à reportagem do “The Guardian”, Ahmad conta que ela nega que o filho tivesse alguma culpa nos ataques de 11 de setembro.

“Ela o amava muito e se recusa a culpá-lo. Em vez disso, ela culpa os que o rodeiam. Ela só conhece o lado do bom garoto, o lado que todos nós vimos. Ela nunca chegou a conhecer o lado jihadista”, diz o irmão Ahmad.

Ele diz ter ficado “chocado, atordoado” quando ficou sabendo do ataque em Nova York.

"Do mais jovem ao mais velho, todos nos sentimos envergonhados por ele”, diz o irmão de Bin Laden, Ahmad.

Ele lembra que, depois do ataque, integrantes da família que moravam na Síria, no Líbano, no Egito e na Europa voltaram para Arábia Saudita.

Familiares de Bin Laden foram interrogados por autoridades locais e, por algum tempo, ficaram proibidos de viajar. Atualmente, quase duas décadas depois do atentado, os familiares de Bin Laden podem se mover com relativa liberdade dentro e fora do país.

Conteúdo: Globo.com



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