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Preta e pobre, ela criou área infantil para ajudar mães da periferia



A realidade da professora Alessandra Gabriel, 43 anos, não era diferente da de outras mães quando teve seus dois filhos: Eduarda, hoje com 17 anos, e Leonardo, com 12 anos.

No dia da Consciência Negra, conheça a história da empreendedora.



Negra e moradora da periferia, Alessandra diz que precisou contar com a ajuda da mãe, Elidamar, para cumprir a dura jornada de dividir o seu tempo entre trabalhar, estudar, cuidar da casa e ter uma vida pessoal.

E por ter de abdicar de muitos planos para organizar seu dia a dia, há dois anos ela resolveu abrir um negócio que pudesse ajudar outras mães a aliviarem sua rotina: o Espelho Mágico.



O espaço, criado em Francisco Morato (31,69 km da capital de São Paulo), oferece alimentação e um projeto pedagógico com preço acessível para as mães deixarem as crianças para trabalhar ou sair.

“Eu não pude fazer cursos ou desfrutar de pequenos lazeres por causa do desgaste para organizar a vida das crianças com minhas atividades. O deslocamento para quem vive na periferia é custoso.”



Com preços acessíveis, o espaço foi inspirado nas memórias afetivas da infância de Alessandra na casa da sua avó Antônia.

“O Espelho Mágico é um lugar para aprender e brincar. Também é a oportunidade que vi para atender mulheres e famílias, especialmente as mães e avós da periferia, que sabemos que a maioria é negra como eu.”



Por duas horas de atendimento – com alimentação e trabalho pedagógico que atenda a individualidade de cada criança – a família paga R$ 50.

“O espaço atende trabalhadoras, como diaristas, costureiras e servidoras públicas, donas de casa e empresárias.”



A mensalidade para o período integral – também com alimentação e atividade pedagógica – é de R$ 580.

Contas do mês não fechavam

Alessandra conta que teve a ideia de abrir o Espaço Mágico quando viu que as contas do mês não estavam fechando, mesmo somando a sua renda com a do marido, o administrador Fábio.



“Comecei as atividades aos fins de semana para que eu pudesse seguir trabalhando em meu emprego formal.”

As mulheres negras representam metade das 9,6 milhões donas de negócios no país, segundo o último levantamento feito pelo Sebrae sobre “Empreendedorismo Feminino no Brasil: atualização de dados e novas aberturas por ‘gênero’ e ‘raça/cor’”



O documento também mostra que o empreendedorismo por necessidade é mais forte entre as mulheres negras (49%) que as brancas (35%) e que a informalidade também é marcante nesse contingente.

Alessandra disse que precisou de muita coragem para juntar a sua experiência de 25 anos na área da educação com a vontade de empreender sem nenhum capital de giro para alugar uma casa e colocar a ideia em prática.



“Recebi ajuda de familiares e amigos com doações de mobiliários e fiz pequenos investimentos do meu próprio salário para realizar meu sonho de empreender.”

De acordo com o Sebrae, São Paulo lidera o número de empreendedoras negras (642 mil), mas a maior participação relativa de empresárias negras por estado está na Bahia (83% das empresárias são negras).


Negócio começou dias antes da pandemia

A empreendedora conta que poucos dias antes da inauguração começou a pandemia do novo coronavírus.

Ela precisou organizar os horários de teletrabalho e passou a atender as crianças de mães que não puderam fazer o isolamento e precisavam trabalhar.



“Os atendimentos eram feitos com hora marcada e individualmente, com todos os cuidados e as orientações da OMS [Organização Mundial da Saúde].

Hoje, o Espelho Mágico recebe em torno de 16 crianças fixas com idade entre 2 e 13 anos. No mês, são 32 crianças com atendimento avulso.



“Não temos funcionários. Meu marido dá uma força no atendimento administrativo e a minha filha me ajuda auxiliando com as crianças menores, com simples ações.”

A empreendedora diz que dá desconto nas mensalidades para irmãos e funcionários públicos da educação. Há planos para atendimento de duas vezes por semana com direito ao sábado grátis.

*Com informações de R7.











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