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Angústias, inseguranças e adiamentos: Os desafios de vestibulandos frente à pandemia



Angústia, ansiedade, falta de concentração e crises de insegurança estão entre as sensações que invadiram a rotina de Maírys Quartaroli Viana durante o ano de 2020. A obrigatoriedade do isolamento social, assim como do ensino remoto, trouxe desafios incalculáveis para a estudante de 18 anos, que se prepara para o vestibular de pedagogia. Em um ano marcado pelos impactos da crise sanitária na educação, assim como em diversos setores da economia, estudantes avaliam como, de fato, as mudanças e transformações pela Covid-19 podem impactar – e até inviabilizar – possíveis aprovações. Para Maírys, as incertezas na educação trouxeram um sentimento “frustrante”. “Não sabíamos quando seriam as provas ou se elas realmente iriam acontecer. Foi um sentimento frustrante, vir há anos se preparando para algo que você, agora, não sabe se vai ocorrer. Tivemos que lidar com essa sensação em meio a uma rotina maluca em casa”, comenta.



Assim como Maírys, diversos outros alunos relatam que a ansiedade que permeou todo o ano letivo. Cansaço, estresse, além de problemas para adaptações ao ensino a distância, estão entre os relatos mais corriqueiros, tanto para estudantes do ensino privado, como Maírys, quanto do ensino público. “Com certeza o isolamento social e a quarentena impactaram os estudos. Em casa temos sons externos que não podemos impedir, problemas com internet, ficamos somente sentados ouvindo o professor falar. Sem contar as distrações. Precisamos do dobro de persistências para resistir”, opina a estudante. Assim como ela, os desvios de atenção também foram um desafio para Camila Farias, de 19 anos, estudante de um colégio público em Paripiranga, na Bahia. A aluna, que se prepara para vestibulares de medicina, considera que seu desempenho nos estudos em 2020 “não foi suficiente” e explica que grande parte dessa dificuldade se deve as crises de ansiedade e aos desafios para manter a disciplina. “Eu tenho transtorno de ansiedade generalizada e, neste ano, tive muitas crises. Em questão de disciplina, a preguiça também me venceu. Eu estudei bastante, já chorei muito por causa disso e, agora, na reta final, eu sinto que estou surtando.”



Essa sensação de angústia assolou estudantes e professores em todo país. Por conta disso, alguns profissionais acreditam que o adiamento dos principais vestibulares para o primeiro trimestre de 2021 trouxe aspectos positivos – ainda que pequenos – para os alunos. A professora de inglês Luciana Bertajoni é mãe de Daniel, aluno do terceiro ano de uma escola particular de Salto, cidade do interior de São Paulo. Ela relata, como mãe e profissional da educação, a dualidade e as dificuldades enfrentadas pelo isolamento. “A pandemia prejudicou no sentido que ele não tinha nenhuma distração. Além de estudar muito, ele não tinha nenhuma distração. Quanto aos adiamentos, como mãe, eu acho que foi um bom ponto. Como exige mais mais foco e disciplina do aluno foi bom adiar. Como professora, eu percebi que os alunos estavam perdidos, eles demoraram para entrar no eixo. Então, no começo, eu achei que seria um ano perdido porque faltava autonomia. Com as adaptações, eu percebi que, para quem conseguisse ter foco e se concentrar, o ano seria perdido socialmente, mas não em relação à aprendizagem. E foi isso que aconteceu, os alunos acabaram focando”. Luciana reconhece, no entanto, que houve prejuízos para o ensino. Segundo ela, nas aulas de inglês, por exemplo, a prática da oralidade foi prejudicada, já que os alunos sentiam mais vergonha e intimidação em frente às câmeras. Mesmo assim, a professora considera que os planejamentos para a educação em 2021 podem suprir as lacunas deixadas.



Desempenho

Além das tradicionais dúvidas quanto aos cursos, universidades e caminhos profissionais a seguir, os estudantes relatam uma insegurança em relação ao próprio desempenho nos vestibulares. Assim como Camila Farias, que reconhece os impactos da pandemia na sua rotina de estudos, a aluno Maírys Viana também diz se sentir menos preparada para a corrida ao ensino superior. “No começo do ano, vendo o ritmo de estudos, eu estava confiante que passaria em qualquer faculdade desejada. Infelizmente, já não tenho a mesma sensação, mesmo com as aulas que tivemos, foram em quantidades menores de horas e conteúdos. Me sinto menos preparada do que poderia estar”, conta. Assim como ela, Pietra Disep, também estudante de um colégio particular do interior de São Paulo, considera que a pandemia levou a uma falta de motivação, que afetou os estudos. “O estudo é atenuado quanto você está no ambiente escolar, você conversa com os professores, coordenadores, amigos, onde normalmente temos discursos de motivação, de apoio e de que vai dar tudo certo. Em casa, é você por você mesmo. Então acho que isso afetou, se eu estivesse no ambiente da escola o meu ano teria sido mais produtivo.”



Se no ensino privado as questões sobre a aprendizagem em 2020 causam dúvidas, a defasagem e o prejuízo educacional neste ano são certezas para alunos de escolas públicas, que, em muitos casos, tiveram pouco ou nenhum acesso a plataformas e conteúdos escolares na pandemia. “As pessoas que tem menos condições de entrar [nas universidades] são as que não tiveram acompanhamento durante o ano todo. As escolas particulares se preparam muito, até porque ela tiveram o ensino a distância. Muitas escolas públicas não tiveram o ensino remoto. E, mesmo se tivessem as aulas, muitos alunos não teriam condições para acompanhar”, opina Camila Farias. Assim como ela, Pietra Disep, que vive outra realidade educacional, destaca os privilégios e as influências do ensino privado na preparação para os principais vestibulares. “Eu acredito que tenho vantagem por dois motivos, o primeiro porque minha escola fez um sistema para ter um bom suporte para a educação a distância desde março. Então acho que foi um grande diferencial, além dos simulados aos sábados. Outro ponto é que me esforcei para não desistir nesse ano. Eu tenho muitos amigos, até mesmo de escolas particulares, que pelas dificuldades de 2020 acabaram desistindo dos estudos e já se conformaram. Conversando com outras pessoas eu percebi que teve gente que teve um ano muito perdido, que não foi a mesma coisa que teria sido se estivesse presencial. Então, para mim, não foi um ano perdido, mas para muitas pessoas foi muito difícil.”

*Com informações de Jovem Pan.









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