Minha Casa, Minha Vida é reparação histórica com o povo, diz Lula - Presidente sancionou novas regras do programa nesta quinta-feira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira (13) o projeto de lei que cria o novo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Entre as novidades estão a ampliação do acesso de faixas de renda; a redução de taxas; e o aumento do subsídio para aquisição de imóveis.
Durante a cerimônia de lançamento da nova edição do programa,
Lula lembrou que o déficit habitacional é um problema histórico e crônico no
Brasil.
“Em 1974, na primeira campanha vitoriosa do PMDB, foi dito
que o Brasil tinha um déficit habitacional de 7 milhões de casas. Isso foi há
48 anos. Hoje eu vejo as pessoas falarem que temos um déficit ainda de 6 a 7
milhões de casas, mesmo com o programa MCMV fazendo 6 milhões de casas nesses
últimos anos”, disse o presidente.
“Isso demonstra a necessidade do Estado se sentir obrigado a
fazer essa reparação”, acrescentou.
As novas regras já estavam em vigor desde o último dia 7, por
conta da MP 1.162/23, aprovada em fevereiro pelo Congresso Nacional. Segundo o
Planalto, até o início de julho 10.094 unidades já haviam sido entregues em 14
estados. O investimento, até então, já estava em R$ 1,17 bilhão.
De acordo com o Planalto, com as novas regras populações de rua também poderão acessar o programa. A previsão é de que, até o final do ano, sejam entregue mais 8 mil unidades habitacionais, e que 21,6 mil obras sejam retomadas. A meta é contratar 2 milhões de moradias até 2026.
Antes da cerimônia de assinatura, Lula já havia comentado
sobre a nova etapa do programa, via redes sociais 'Bom dia. Hoje começamos uma
nova etapa no Minha Casa Minha Vida, com ampliação das faixas de renda, redução
de taxas e aumento do subsídio para aquisição dos imóveis. O sonho da casa
própria se tornando realidade para cada vez mais famílias brasileiras.'
Faixas de
renda
Tanto as faixas de renda para beneficiários, como o valor a
ser financiado foram ampliados. Com isso, a Faixa 1 do programa contemplará
famílias com renda mensal de até R$ 2.640. Já a Faixa 2 contemplará famílias
com renda entre R$ 2.640 e R$ 4,4 mil; e a Faixa 3, para famílias com renda
mensal entre R$ 4,4 mil e R$ 8 mil.
Já com relação ao valor do imóvel, o financiamento máximo
será de R$ 170 mil para empreendimentos voltados à Faixa 1; R$ 264 mil para a
Faixa 2; e R$ 350 mil para a Faixa 3.
No caso do MCMV rural, o valor máximo para novas moradias passou de R$ 55 mil para R$ 75 mil. Já o financiamento para melhoria de uma moradia passou de R$ 23 mil para R$ 40 mil.
As taxas de juros variam de acordo com a região e com a
renda, indo de 4% ao ano a 5,5%, no caso da Faixa 1; de 4,75% a 7%, para a
Faixa 2; e de 7,66% a 8,16% para a Faixa 3.
O governo federal aumentou também os descontos oferecidos
para as famílias que acessarem o financiamento com recursos do FGTS para a
aquisição do imóvel – de R$ 45,7 mil para R$ 55 mil, restrito aos beneficiários
da Faixa 1. Segundo o Planalto, esse limite não era revisto desde 2017
As prestações mensais pagas pelos beneficiários da Faixa 1
serão proporcionais à renda, com um valor mínimo de R$ 80, ao longo de um
período de 5 anos.
Avanços
As novas contratações do MCMV trazem melhorias, também, nas
especificações dos imóveis. Entre as melhorias estão o aumento da área mínima
das unidades, de 40 metros quadrados (m²) para casas e de 41,50 m² para apartamentos;
e a criação de varandas “para oferecer um espaço adicional aos moradores”. Além
disso, os conjuntos deverão ter sala de biblioteca e equipamentos para a
prática esportiva.
Ainda entre as melhorias está a necessidade de o terreno
estar localizado na malha urbana, próximo a infraestruturas completas já
instaladas e consolidadas – o que inclui acesso a equipamentos públicos de
educação, saúde e assistência social, além de acesso a comércio e serviços e
transporte público coletivo.
“Terrenos mais bem qualificados podem receber um valor
adicional em sua aquisição, incentivando a qualidade e adequação das
localizações dos empreendimentos”, complementou o Planalto.
Repercussão
Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC), Renato de Souza Correia, mais de 6 milhões de habitações já foram
construídas graças ao programa, desde sua primeira versão, em 2009. Na
solenidade de sanção das novas regras, ele avaliou como "positiva" a
nova versão do programa:
“A CBIC avalia de forma muito positiva a versão atual do
MCMV, pois volta a contemplar, com recursos da União, a parcela mais carente da
população brasileira, que sofre com habitações precárias e com aluguéis muito
caros. O governo já estaria de parabéns se ficasse somente nessa parte, mas fez
mais: ajustou o programa nas faixas financiadas pelo FGTS.”
Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, os entraves e o
atraso promovido pelo governo anterior deixou de concluir 186 mil unidades
habitacionais. “Destas, 83 mil unidades estavam paralisadas”, disse o ministro.
Ele acrescentou que o programa conseguiu retomar mais de 17 mil casas e já
entregou mais de 10 mil moradias, beneficiando mais de 100 mil brasileiros que
buscavam habitação.
Representante do Movimento Camponês Popular, Jéssica Briito
lembrou que a atual edição do MCMV só foi possível no campo, enquanto política
pública, após muito diálogo e reivindicações por parte dos camponeses.
“Só chegou nas diversas populações do campo, em todas as regiões desse país, graças a parceria com os movimentos do campo que historicamente fazem a luta por reforma agrária; pelo reconhecimento do campesinato na tarefa permanente de produzir alimentos; e pela luta por melhores condições de produção e de vida no campo. Essas organizações ousaram lutar e reivindicar o direito à moradia para essas populações”, disse.
“A moradia no campo, para nós, é um elemento de permanência
das famílias no campo. Mais do que isso, ela é também um elemento de
transformação da autoestima das mulheres camponesas, porque somos nós,
mulheres, que sentimos de perto a dureza de não ter um teto e um lar seguro
para os nossos filhos. Nos fortalece muito a retomada desse programa, tendo
como um dos principais critérios de atendimento as mulheres camponesas.”
Representante da Confederação Nacional das Associações de
Moradores, Bartira Costa defendeu a priorização de políticas urbanas, enquanto
"agenda prioritária para o desenvolvimento urbano do Brasil, tendo a
cidade como direito e não apenas como moradia”; a “retomada imediata” do
Conselho das Cidades; e a convocação da Conferência das Cidades.
“Precisamos também garantir a universalização do acesso aos
serviços de saneamento básico para todas as pessoas independente do local e das
condições de moradias, bem como da capacidade de pagamento. Para isso é
fundamental fortalecer as empresas e os serviços públicos de saneamento;
retomar os investimentos do plano enquanto instrumento de planejamento. O
saneamento deve ser encarado como política estratégica para o desenvolvimento
do Brasil, condicionante da qualidade de vida nas cidades”, disse.
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