CEO da Embraer diz ser contra retaliação aos EUA e alerta: seria “uma situação de perde-perde”, ao prejudicar tanto a Embraer, que depende fortemente do mercado americano, disse
O CEO da
Embraer, Francisco Gomes Neto, posicionou-se contra quaisquer retaliações aos
Estados Unidos em meio à crise tarifária que ameaça a indústria aeronáutica
brasileira. Segundo ele, impor tarifas — como as de até 50% anunciadas pelo
presidente Donald Trump — seria “uma situação de perde-perde”, ao prejudicar
tanto a Embraer, que depende fortemente do mercado americano, quanto os
parceiros dos EUA que fornecem componentes para suas aeronaves.
Durante uma
coletiva na sede da empresa em São José dos Campos, Gomes Neto alertou que a
indústria enfrenta um risco comparável ao sofrido na pandemia de Covid-19: “um
impacto similar ao da COVID-19” na receita da companhia, caso as tarifas se
concretizem. Ele detalhou que cada aeronave exportada aos Estados Unidos pode
ter o custo elevado em cerca de US$ 9 milhões, o que tornaria inviáveis os
envios de modelos como o E175, amplamente utilizados por companhias aéreas
americanas.
Gomes Neto
ressaltou que o setor aéreo é altamente interdependente: fornecedores de
motores, sistemas de aviônicos e peças — muitos de origem americana — também
seriam afetados, tornando as tarifas contraproducentes para ambos os lados. Ele
declarou que essas barreiras trariam cancelamentos de pedidos, atrasos na
entrega, redução de investimentos e até demissões.
Apesar do
cenário conturbado, Gomes Neto mencionou que a Embraer segue avaliando os
impactos e buscando ajustes operacionais. A companhia já havia afirmado em maio
que enfrentou apenas “impacto limitado” de tarifas até o momento, graças à
estratégia de diversificar sua cadeia de suprimentos entre Brasil e EUA. No
entanto, sublinhou a necessidade de retorno a um ambiente sem tarifas
setoriais, conforme vinha sendo praticado antes.
A Embraer é
o terceiro maior fabricante de aeronaves do mundo, exportando cerca de 45% de
seus aviões comerciais e 70% dos executivos para os EUA. A possível imposição
de tarifas de 50% foi anunciada por Trump como resposta às acusações criminais
contra Jair Bolsonaro, sendo um fator adicional de tensão comercial entre os
dois países. Economistas e entidades do setor veem o risco de efeito dominó:
menos pedidos de aviões, cortes de gastos e perda de competitividade no setor
aeronáutico nacional.
Acordos
trimaterais e isenções específicas, como as recentemente concedidas à União
Europeia, trazem lições: é possível negociar exceções, mas nada garante que o
Brasil consiga isenção semelhante. O posicionamento cauteloso
de Francisco Gomes Neto revela preocupação com a solidez do setor aeronáutico brasileiro. Seu apelo a evitar retaliações e buscar acordos diplomáticos ressalta que, em um setor com cadeias globais complexas, a imposição de tarifas pode causar danos severos tanto à Embraer quanto à economia americana, caracterizando um cenário em que ninguém sai ganhando.
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