Eduardo Bolsonaro radicaliza nos EUA, ataca Nikolas Ferreira e irrita agronegócio e centrão com discurso isolado
O deputado
federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem adotado uma postura cada vez mais radical
durante sua permanência nos Estados Unidos, assumindo a linha de frente na
tentativa de influenciar as negociações em torno do aumento tarifário anunciado
pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros. Apresentando-se como
único interlocutor legítimo da ala bolsonarista junto ao ex-presidente
norte-americano, Eduardo passou a orientar ataques contra parlamentares que
tentaram abrir caminhos diplomáticos paralelos.
Nos
bastidores, a movimentação de Eduardo causou desconforto entre parlamentares da
direita, da bancada do agronegócio e também do centrão. Isso porque o deputado
desautorizou uma comitiva formada por oito senadores brasileiros — entre eles
os ex-ministros Tereza Cristina e Marcos Pontes — que foram aos EUA com o
objetivo de dialogar com autoridades e setores produtivos norte-americanos. A
missão diplomática busca demonstrar os impactos negativos do tarifaço sobre a
economia brasileira, em especial sobre o agronegócio. Eduardo, no entanto,
classificou o gesto como desrespeitoso a Trump e tentou invalidar qualquer
interlocução que não passasse por ele.
Internamente,
seu discurso também gerou atritos dentro do próprio PL. Ao mirar Nikolas
Ferreira, deputado de grande alcance entre o eleitorado jovem e evangélico,
Eduardo o acusou de omissão durante os episódios envolvendo a tornozeleira
eletrônica imposta a Jair Bolsonaro e de não se posicionar com firmeza. A
reação nos bastidores foi de irritação, com aliados de Nikolas evitando
confronto direto, mas reconhecendo a escalada agressiva de Eduardo como
prejudicial ao campo bolsonarista.
Lideranças
do agronegócio demonstraram desconforto com a atuação do deputado. O setor teme
que o comportamento isolado e ideologizado de Eduardo acabe comprometendo ainda
mais as relações comerciais com os Estados Unidos, dificultando a reversão das
tarifas. O desgaste político do deputado aumentou após ele ser acusado de
contribuir, direta ou indiretamente, para o endurecimento das medidas
americanas, em meio ao apoio declarado de Trump ao ex-presidente Bolsonaro.
Apesar disso, Eduardo ainda mantém respaldo de um grupo restrito de cerca de 25 parlamentares ligados à ala mais radical do bolsonarismo. A crescente rejeição de sua estratégia por parte de setores moderados do Congresso e de representantes do setor produtivo, no entanto, tem isolado o deputado, levantando dúvidas sobre sua viabilidade política futura.
Comentários
Postar um comentário
Olá, agradecemos a sua mensagem. Acaso você não receba nenhuma resposta nos próximos 5 minutos, pedimos para que entre em contato conosco através do WhatsApp (19) 99153 0445. Gean Mendes...