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GCM Conchal intensifica ações contra o uso de linhas cortantes após criança ferida e casos de mortes anteriores

F5 Conchal e Região

A Guarda Civil Municipal de Conchal iniciou neste final de semana uma série de ações preventivas para combater o uso de linhas cortantes em pipas, prática proibida por lei e responsável por acidentes graves e fatais. As ações começaram no sábado (19), um dia após a repercussão do caso envolvendo uma criança de 2 anos e 10 meses ferida superficialmente no pescoço por uma linha com cerol, no bairro Jardim Bela Vista.

Na operação, a GCM recolheu diversos materiais cortantes e orientou crianças, adolescentes e adultos sobre os riscos e a ilegalidade do uso desse tipo de linha, conforme previsto na Lei Estadual 17.201/2019, que desde 2019 proíbe a fabricação, comercialização e o uso de cerol e linha chilena em todo o estado de São Paulo. Segundo o secretário municipal de Segurança Pública, Bruno Costa, as operações de fiscalização serão intensificadas para coibir o problema na cidade, que registra histórico preocupante.

O caso recente noticiado pelo F5 ganhou ampla repercussão na região, sendo replicado por vários veículos de imprensa. A mãe da menina relatou que o incidente ocorreu durante um passeio de bicicleta com a filha, próximo ao Supermercado do Tabaca, e que só percebeu o perigo porque a linha também tocou seu ombro. O susto foi grande, já que a menina ficou incomodada com a ardência e precisou de cuidados médicos, mas o ferimento foi leve. A mãe voltou ao local e constatou que havia muitas crianças e adolescentes empinando pipas, mas não conseguiu identificar o responsável pela linha com cerol.

O episódio reacendeu a preocupação com a segurança em Conchal, principalmente porque, em 2021, um trabalhador de 42 anos morreu degolado por uma linha com cerol enquanto pilotava sua motocicleta nas proximidades do mesmo bairro. A tragédia daquela época ainda marca a memória da população e evidencia a permanência do problema, que se agrava no período de férias escolares, quando aumenta o número de pessoas nas ruas brincando de soltar pipas.

 

A situação em Conchal demonstra uma realidade preocupante em todo o estado de São Paulo. Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que entre janeiro e maio de 2024 foram registrados 1.326 atendimentos por ferimentos causados por linhas cortantes, um aumento de 139% em relação ao mesmo período de 2023, que teve 555 casos. O governo estadual alertou para o crescimento do risco durante as férias, sobretudo em regiões periféricas e com maior presença de crianças e adolescentes.

Além do risco às pessoas, o cerol e a linha chilena causam prejuízos ao meio ambiente e à infraestrutura urbana, como cortes em cabos de energia e danos à fauna, especialmente aves. Os especialistas alertam que o perigo dessas linhas não se limita a cortes superficiais. De acordo com o médico Eduardo Benedetti, do Hospital Geral de Guarulhos, acidentes podem resultar em hemorragias, perfuração de traqueia, mutilações, amputações e até morte, principalmente entre motociclistas atingidos no pescoço. Também há registros de traumas oculares que podem levar à cegueira irreversível.

Frente ao cenário, especialistas e autoridades defendem que a solução passa por uma combinação de fiscalização, punição e principalmente educação. Campanhas de conscientização em escolas e comunidades são apontadas como essenciais para reduzir o uso de linhas cortantes e prevenir novos acidentes.



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