A chamada
“taxa das brusinhas” é uma expressão popular usada nas redes sociais para se
referir ao aumento da tributação sobre compras internacionais de baixo valor
feitas por consumidores brasileiros em plataformas como Shopee, Shein,
AliExpress, Amazon e outras. O termo “brusinha” ironiza produtos baratos —
especialmente roupas femininas — que se tornaram populares entre os
consumidores brasileiros nesses sites de e-commerce internacional.
A mudança
começou com a sanção presidencial, em julho de 2024, de uma nova regra que
passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras de até US$ 50 feitas
por pessoas físicas. Até então, compras abaixo desse valor estavam isentas do
imposto federal, desde que realizadas em plataformas cadastradas no programa
“Remessa Conforme”. Além do imposto de importação, ainda incide o ICMS
estadual, que subiu para 20% em vários estados a partir de abril de 2025. Com
isso, uma compra de R$ 100 pode chegar a custar mais de R$ 140 com impostos.
O governo
justificou a medida com base na ideia de “isonomia tributária”, alegando que os
varejistas nacionais não conseguiam competir com os preços praticados por
plataformas estrangeiras. A proposta teve forte apoio de grandes redes
varejistas brasileiras e da indústria têxtil, que pressionaram o Congresso
Nacional por medidas de proteção ao mercado interno. Em contrapartida,
consumidores reagiram com forte insatisfação nas redes sociais, apontando que a
medida prejudica diretamente as classes populares — justamente as que mais
recorrem a essas plataformas em busca de produtos baratos.
O impacto
foi imediato: pesquisas mostraram que mais de 40% dos consumidores brasileiros
abandonaram compras internacionais ao se deparar com os novos custos
tributários, segundo levantamento da consultoria ePlus. A reação da imprensa
internacional também foi significativa. Veículos como a Reuters, The Rio Times
e OpenDemocracy destacaram que a medida brasileira representa uma barreira ao
consumo globalizado e chamou a atenção para possíveis conflitos com normas da
Organização Mundial do Comércio (OMC), além de críticas da Câmara de Comércio
Internacional da Internet (CCIA), que representa empresas como Amazon e
Alibaba.
Curiosamente,
o Brasil agora está do outro lado da equação em um embate comercial com os
Estados Unidos. Em julho de 2025, o governo norte-americano anunciou tarifas de
até 50% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo aviões da Embraer, suco
de laranja, aço e carne bovina. A medida, defendida pelo presidente Donald
Trump como forma de proteger a economia americana, atinge diretamente
exportadores brasileiros — mas quem arca com o aumento dos preços são os
próprios consumidores norte-americanos, que pagarão mais caro por esses
produtos importados.
A diferença
é essencial: enquanto no Brasil o encarecimento recaiu sobre o próprio
consumidor nacional, nos EUA são os americanos que pagarão mais caro por
produtos do Brasil, como consequência da política tarifária adotada pela Casa
Branca. Em ambos os casos, trata-se de protecionismo, mas com alvos diferentes.
No Brasil, o foco foi o consumidor; nos EUA, a indústria estrangeira.
Esse
paralelo escancara uma realidade do comércio internacional: governos, em nome
da proteção econômica interna, frequentemente recorrem a medidas que acabam
afetando diretamente a população — seja pela alta nos preços, pela redução do
acesso a produtos ou pela restrição à livre concorrência.
O que se
observa, portanto, é uma mudança de cenário no consumo global: se antes as
plataformas internacionais ampliaram o acesso dos brasileiros a produtos mais
baratos, agora o custo da tributação imposta pelo próprio país torna esse
consumo cada vez mais limitado — ao passo que, em outro front, os exportadores
brasileiros enfrentam barreiras crescentes para vender seus produtos ao mundo.
Se a “taxa das brusinhas” se tornou um símbolo da frustração do consumidor brasileiro, as tarifas americanas representam agora o peso da política comercial sobre os ombros do setor produtivo. E, no fim das contas, seja nos EUA ou no Brasil, quem paga a conta é sempre o cidadão.
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