Ministério do Meio Ambiente pede veto quase total a projeto que flexibiliza licenciamento ambiental aprovado pelo Congresso
O Ministério
do Meio Ambiente informou que irá recomendar ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva o veto quase integral ao projeto de lei que altera as regras do
licenciamento ambiental no Brasil. O texto foi aprovado pela Câmara dos
Deputados na madrugada desta quinta-feira, 17 de julho, por 267 votos a favor e
116 contra, e já havia passado pelo Senado em maio. O projeto estabelece sete
modalidades de licenciamento ambiental simplificado, entre elas a Licença
Ambiental Especial (LAE) e o Licenciamento por Adesão e Compromisso (LAC), que
permitem que empreendimentos sejam licenciados por meio de autodeclaração, com
fiscalização por amostragem e sem notificação prévia.
A medida
gerou forte reação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que classificou
o projeto como um grave retrocesso e alertou que ele pode significar o fim das
salvaguardas ambientais no país. Marina criticou especialmente o fato de que o
texto não define uma regra nacional obrigatória, permitindo que estados e
municípios criem seus próprios critérios, o que, segundo ela, colocará a
proteção ambiental em risco e fragilizará a segurança jurídica do setor. Ela
afirmou que recomendará a Lula o veto quase completo da proposta para evitar
danos irreversíveis à legislação ambiental brasileira.
O relator do
projeto na Câmara foi o deputado Zé Vitor (PL-MG), que recebeu forte apoio da
bancada ruralista e de representantes do setor de infraestrutura. O argumento
defendido por esses grupos é de que o projeto moderniza e agiliza o
licenciamento, destravando investimentos em áreas como agricultura, pecuária,
mineração, exploração de petróleo e infraestrutura. Uma das emendas mais
polêmicas foi inserida pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que cria
a possibilidade de licenciamento especial para empreendimentos considerados
estratégicos, como a exploração de petróleo na chamada margem equatorial,
região rica em biodiversidade e alvo de disputas ambientais.
A base do
governo no Congresso se posicionou contra o projeto. O líder do PT na Câmara,
deputado Lindbergh Farias, reforçou que o presidente Lula deve vetar o texto,
atendendo aos apelos do Ministério do Meio Ambiente, de organizações não
governamentais e de cientistas. A Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência divulgou nota chamando o projeto de “o mais grave retrocesso já imposto
ao sistema de proteção ambiental do país”. Entidades
como o
Greenpeace e o Observatório do Clima também pediram o veto integral, alertando
para o risco de aumento do desmatamento e da degradação ambiental justamente em
um momento em que o Brasil tenta recuperar sua imagem internacional às vésperas
da COP30, que será realizada em Belém, no Pará.
Além da
pressão interna, o Brasil enfrenta críticas externas por conta do texto
aprovado. Os Estados Unidos estudam abrir investigações sobre importações de
produtos brasileiros associados ao desmatamento, o que pode afetar o comércio
bilateral. Também há riscos para o andamento do acordo entre Mercosul e União
Europeia, já que o bloco europeu exige garantias ambientais para prosseguir com
a negociação.
O presidente Lula terá até 15 dias para decidir se veta totalmente, parcialmente ou sanciona integralmente o projeto. Caso opte pelo veto, o Congresso ainda poderá derrubá-lo, mantendo o texto aprovado pelos parlamentares. O governo, no entanto, sinaliza que trabalha para evitar um desgaste ambiental e diplomático às vésperas da conferência climática que colocará o Brasil novamente sob os holofotes internacionais.
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