O ministro
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta
quinta-feira (24) não decretar a prisão preventiva do ex-presidente Jair
Bolsonaro, apesar de reconhecer que houve violação das medidas cautelares
impostas a ele. A decisão, publicada no âmbito do inquérito que apura tentativa
de abolição do Estado Democrático de Direito, traz uma advertência expressa:
novas infrações levarão à prisão imediata.
Segundo
Moraes, o episódio que motivou a análise do descumprimento foi considerado
“irregularidade isolada”. A acusação surgiu após a divulgação de vídeos e
entrevistas concedidas por Bolsonaro que, de acordo com a Procuradoria-Geral da
República, poderiam configurar violação das restrições impostas pelo Supremo. O
ministro, no entanto, considerou que não houve reincidência nem intenção
deliberada de descumprir as determinações judiciais.
“Por
se tratar de irregularidade isolada, sem notícias de outros descumprimentos até
o momento, bem como das alegações da Defesa de Jair Messias Bolsonaro da
‘ausência de intenção de fazê-lo, tanto que vem observando rigorosamente as
regras de recolhimento impostas’, deixo de converter as medidas cautelares em
prisão preventiva, advertindo ao réu, entretanto, que, se houver novo
descumprimento, a conversão será imediata”, escreveu Moraes na decisão.
As medidas
cautelares em vigor contra Bolsonaro incluem o uso de tornozeleira eletrônica,
proibição de uso de redes sociais — seja direta ou indiretamente —, restrição
de contato com outros investigados e recolhimento domiciliar noturno. O
ex-presidente também está impedido de manter comunicação com autoridades
estrangeiras envolvidas nos autos do inquérito.
Apesar das
limitações, o ministro esclareceu que Bolsonaro não está proibido de conceder
entrevistas ou fazer discursos públicos. “Inexiste qualquer proibição de
concessão de entrevistas ou discursos públicos ou privados”, pontuou
Moraes, rejeitando interpretações que apontavam para censura prévia. O
problema, segundo o STF, está na divulgação dos conteúdos por terceiros em
plataformas digitais, o que poderia configurar burla à proibição de uso de
redes sociais.
Na decisão,
Moraes reafirma que o uso de terceiros para driblar restrições será considerado
violação grave: “A medida cautelar de proibição de utilização de redes
sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros … não podendo o investigado
se valer desses meios para burlar a medida, sob pena de imediata revogação e
decretação da prisão”.
A
advertência vem dias após Moraes ter dado prazo de 24 horas para que a defesa
do ex-presidente esclarecesse se houve ou não descumprimento das ordens. A
manifestação dos advogados alegou que Bolsonaro não teve a intenção de
infringir as medidas e que segue cumprindo rigorosamente as determinações.
A decisão mantém o ex-presidente sob vigilância da Justiça, com um recado direto: qualquer novo descumprimento será suficiente para transformar as medidas cautelares em prisão preventiva. Moraes não detalhou se novos episódios semelhantes já estão sob investigação, mas a decisão reforça que o STF acompanha de perto a conduta do ex-presidente.
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