Senado impõe sigilo de 100 anos sobre visitas do “Careca do INSS” e contraria CGU em caso de interesse público
O Senado
Federal aplicou sigilo por 100 anos aos registros de entrada do lobista Antonio
Carlos Camilo Antunes, conhecido publicamente como o “Careca do INSS”. A
decisão foi tomada após solicitação via Lei de Acesso à Informação encaminhada
pelo portal Metrópoles no dia 2 de julho de 2025, para acessar os dados de
visita do lobista às dependências da Casa.
Em resposta,
o Senado justificou a medida com base no Decreto nº 7.724/2012 e na Lei Geral
de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), classificando os registros como de
“caráter pessoal” e, portanto, sujeitos ao sigilo centenário.
Antonio
Carlos Antunes ficou notório como figura central do esquema de fraudes na
concessão de benefícios previdenciários — conhecido como “Farra do INSS”.
Investigações apontam que ele atuava como lobista em contratos e emendas, e
teria envolvimento em descontos indevidos em aposentadorias, movimentando mais
de R$ 50 milhões, conforme reportagens iniciadas em dezembro de 2023 pelo
Metrópoles. A Polícia Federal estima prejuízos em torno de R$ 6,3 bilhões, e já
foram apreendidos veículos de luxo vinculados a ele, avaliados em cerca de
R$ 3,29 milhões.
A decisão do
Senado, porém, contraria o posicionamento da Controladoria-Geral da União
(CGU), que defende a transparência sobre registros de entrada e saída em órgãos
públicos. Segundo a CGU, o acesso a essas informações atende ao interesse
público e pode auxiliar na identificação de eventuais irregularidades e
conflitos de interesse entre parlamentares e lobistas, conforme previsto na Lei
de Conflito de Interesses (Lei nº 12.813/2013).
Em
contraponto ao Senado, a Câmara dos Deputados informou que não há registros de
entrada de Antônio Carlos no órgão desde 1º de janeiro de 2019, e respeitou o
pedido da imprensa via LAI . Além disso, o senador Weverton Rocha (PDT‑MA) admitiu ter se reunido com o lobista pelo menos três vezes em seu gabinete.
Especialistas em transparência pública apontam que a aplicação do sigilo por 100 anos, mesmo em razão de proteção à vida privada, é excepcional e controversa quando envolve figuras envolvidas em escândalos que afetaram milhões de beneficiários do INSS. Há entendimento de que a sociedade tem direito de saber quem frequentava o Congresso e em que circunstâncias essas visitas ocorreram.
A decisão
ocorre em um contexto de endurecimento do debate sobre integridade pública e
responsabilidade institucional. À medida que as investigações sobre a
"Farra do INSS" avançam, a postura do Senado suscita críticas de
parlamentares e entidades da sociedade civil, que cobram revisão da medida e
maior abertura.
O sigilo de 100 anos, previsto na Lei de Acesso à Informação, é permitido para proteger dados sensíveis, como os de saúde ou vida privada, mas seu uso nesse caso levanta a questão sobre o equilíbrio entre a proteção individual e o direito constitucional de acesso à informação, sobretudo em casos de evidente interesse público.
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