Venezuela recua e retoma isenção de tarifas para produtos brasileiros após cobrança inesperada de até 77%
A Venezuela
recuou da decisão de cobrar tarifas que variavam entre 15% e 77% sobre produtos
brasileiros que, até então, entravam no país vizinho com isenção fiscal
garantida por acordos comerciais em vigor desde 2014. A cobrança, que começou a
ser aplicada no dia 24 de julho de 2025, afetou diretamente as exportações
provenientes de estados como Roraima, cuja economia depende fortemente do
comércio com o país comandado por Nicolás Maduro.
A medida
surpreendeu exportadores, despachantes aduaneiros e autoridades brasileiras.
Produtos como farinha de trigo, margarina, cana-de-açúcar e cacau — todos
listados no Acordo de Complementação Econômica nº 69, firmado no âmbito da
Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) — deixaram de ser aceitos com
isenção fiscal, gerando aumentos expressivos de custo e insegurança jurídica
para quem depende da operação de comércio bilateral. O governo venezuelano não
emitiu qualquer justificativa oficial para a mudança, tampouco anunciou
previamente a revogação temporária das isenções previstas no tratado.
Em resposta,
o setor empresarial e o governo brasileiro mobilizaram esforços diplomáticos. O
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Itamaraty, a
Federação das Indústrias de Roraima (FIER) e a Câmara de Comércio
Brasil-Venezuela buscaram contato com representantes venezuelanos e iniciaram
tratativas para restabelecer a normalidade nas transações comerciais. A
principal hipótese considerada era a falha técnica no sistema eletrônico da
aduana venezuelana (Sidunea), que teria deixado de reconhecer os certificados
de origem apresentados pelos exportadores brasileiros.
A situação
se agravou pelo impacto direto na economia local de Roraima, que destina cerca
de 70% de suas exportações para a Venezuela. A imposição das tarifas gerou
paralisações em remessas e incertezas para empresários, que passaram a
registrar prejuízos imediatos. Em apenas três dias, representantes do comércio
exterior confirmaram que cargas estavam sendo barradas ou liberadas com altos
custos adicionais, tornando inviável a continuidade do fluxo normal de
exportações.
Após
pressões diplomáticas e técnicas, a situação foi normalizada em 28 de julho.
Segundo informações divulgadas por autoridades locais e representantes do
setor, o sistema venezuelano voltou a reconhecer os certificados de origem
emitidos pelo Brasil, o que resultou na retomada da isenção tarifária conforme
determina o acordo comercial em vigor.
Ainda que a normalização tenha sido interpretada como um recuo técnico, não está descartada a possibilidade de que a cobrança abrupta tenha sido um gesto político, mesmo que não oficialmente declarado. Em todo caso, o episódio provocou reação imediata do setor privado e acendeu alerta sobre a importância da estabilidade institucional e jurídica nos tratados internacionais de comércio.
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