
Na segunda
parte do depoimento de Eduardo Tagliaferro nesta terça-feira (2), o
presidente da Comissão de Segurança Pública (CSP), Flávio Bolsonaro (PL-RJ),
anunciou que todas as informações apresentadas pelo ex-chefe da Assessoria
Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
serão disponibilizadas às defesas dos réus no julgamento dos atos de 8 de
janeiro de 2023.
A medida,
aprovada em votação simbólica pelos membros da CSP, tem como objetivo permitir
que os advogados tenham conhecimento das supostas irregularidades processuais
praticadas por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de
Moraes e tomem as "providências cabíveis". Flávio explicou que,
inicialmente, sua intenção era disponibilizar os documentos ao público, mas
ressalvou que o conteúdo pode incluir conversas privadas.
— Isso pode
acabar expondo as pessoas. Que deixassem à disposição dos advogados para que
pudessem fazer uma análise daquilo que pudesse ser útil para seus clientes.
A CSP também
aprovou a elaboração de um relatório das denúncias de Tagliaferro contra Moraes
e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também teria atuado fora do
rito processual. Segundo Flávio Bolsonaro, o relatório será encaminhado ao
presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, para que avalie a
possibilidade de suspensão do julgamento em curso do 8 de janeiro. Cópias do
relatório serão enviadas ao TSE, ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), à Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB) e ao governo dos Estados Unidos.
Alem disso,
a comissão vai requisitar proteção a Tagliaferro, que está na Itália, e aos
seus parentes.
Inversão
do rito
Respondendo
ao senador Carlos Portinho (PL-RJ), Tagliaferro afirmou que Moraes teria usado
contra Bolsonaro o mesmo procedimento adotado em 2022 contra os membros de um
grupo de empresários acusados de sugerirem ações violentas contra a
eventual eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os empresários foram
submetidos a operações de busca e apreensão.
Naquele
caso, disse Tagliaferro, a instrução penal foi feita a partir de uma decisão já
tomada, o que configuraria uma inversão do devido rito processual.
— Todos os
casos de perseguição começaram com a inversão do rito. Alexandre de Moraes já
tinha em sua mente o planejamento de tudo que ele queria: aqueles alvos já
estavam sentenciados.
Magno Malta
(PL-ES), autor do requerimento para realização da audiência, disse entender que
as informações apresentadas contra Moraes são sólidas. Para ele, o ministro deu
"poder de polícia" a um grupo de funcionários do seu gabinete, de
modo a dar legitimidade a violações de direitos.
Os senadores
Cleitinho (Republicanos-MG) e Jaime Bagattoli (PL-RO) cobraram ações do Senado
pelo impeachment de Alexandre de Moraes e pela anistia aos envolvidos no 8 de
janeiro de 2023.
Fonte: Agência Senado

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