A Lupo, uma das maiores fabricantes brasileiras de meias, meias-calças e peças íntimas, confirmou a instalação de sua primeira fábrica fora do país. A nova unidade será construída em Ciudad del Este, no Paraguai, com investimento estimado em R$ 30 milhões e início das operações previsto para o segundo semestre de 2026 .
Segundo declarou a própria empresa, a decisão foi motivada por fatores econômicos e estruturais que tornaram a produção no Brasil menos competitiva. Hoje, cerca de 52% do mercado nacional de meias é abastecido por produtos importados — em grande parte, mais baratos do que os nacionais. Ao produzir no Paraguai, a Lupo espera reduzir custos e equilibrar essa concorrência .
A escolha do país vizinho está diretamente ligada ao modelo fiscal local. No Paraguai, o regime de maquila oferece impostos reduzidos para produtos fabricados com foco em exportação, além de energia mais barata e menor complexidade tributária. Estudos internos apontaram que fabricar no Paraguai pode sair até 28% mais barato do que no Brasil.
A nova planta terá capacidade inicial de produção de até 20 milhões de pares de meias por ano e atenderá em grande parte o mercado brasileiro, mesmo fora do território nacional. A estratégia, segundo a empresa, busca preservar competitividade, mantendo presença no país onde a marca nasceu e se consolidou .
O movimento da Lupo reforça uma tendência que já vinha se intensificando: indústrias brasileiras transferindo parte de sua operação para países com custos menores. Para especialistas, a decisão reacende o debate sobre carga tributária, burocracia, energia e política industrial — fatores que, combinados, têm dificultado a permanência de fábricas no Brasil .
Enquanto a Lupo expande sua produção para além das fronteiras, o anúncio também traz impactos internos: alerta sobre dificuldades estruturais enfrentadas pela indústria nacional e sobre o risco de perda de postos de trabalho em setores tradicionais.



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