Caso Orelha: morte de cão comunitário em SC mobiliza país e leva polícia a investigar familiares de adolescentes
A morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha, na Praia Brava, litoral de Santa Catarina, provocou forte repercussão nacional e abriu uma ampla investigação da Polícia Civil. O animal, que vivia há cerca de dez anos na região, foi atacado por um grupo de adolescentes no dia 4 de janeiro. Socorrido por moradores e levado a uma clínica veterinária, ele teve de ser submetido à eutanásia no dia seguinte, em razão da gravidade dos ferimentos.
Desde então, o caso acumulou novos desdobramentos ao longo do mês de janeiro, incluindo uma operação policial para apurar responsabilidades, suspeitas de coação a testemunhas e a análise de imagens de câmeras de segurança.
Segundo as apurações iniciais, quatro adolescentes participaram da agressão contra Orelha. O cachorro, bastante ferido, foi levado para atendimento veterinário, mas não resistiu. A morte gerou comoção entre moradores da região e defensores da causa animal, ampliando a pressão por respostas das autoridades.
Com a repercussão do episódio, a Polícia Civil de Santa Catarina passou a conduzir inquérito para esclarecer as circunstâncias do ataque. Em 26 de janeiro, foi deflagrada uma operação para cumprimento de mandados de busca e apreensão contra os adolescentes e também contra adultos ligados a eles. Durante a ação, foram recolhidos celulares e outros dispositivos eletrônicos que poderão auxiliar na investigação.
A polícia informou que já ouviu mais de 20 pessoas e analisou mais de 72 horas de imagens captadas por 14 câmeras de monitoramento, públicas e privadas, instaladas na região da Praia Brava.
Familiares dos jovens são investigados por coagir testemunhas e tentar atrapalhar o andamento das apurações. De acordo com a Polícia Civil, entre os parentes envolvidos estariam dois empresários e um advogado, cujos nomes não foram divulgados.
Ainda conforme os investigadores, dois dos adolescentes envolvidos no caso estão atualmente nos Estados Unidos, em viagem à Disney que, segundo a polícia, já estava programada antes da repercussão.
Até o momento, ninguém foi preso em decorrência do caso. No entanto, a Polícia Civil informou que os familiares foram indiciados pelo crime de coação.
As autoridades também investigam um outro episódio de agressão atribuído ao mesmo grupo de adolescentes, desta vez contra um cachorro conhecido como Caramelo. O animal conseguiu escapar e sobreviveu.
Embora sejam menores de 18 anos e, portanto, inimputáveis criminalmente, os adolescentes podem ser responsabilizados por meio de medidas socioeducativas, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), caso seja comprovado o envolvimento no ataque.
Orelha era considerado um cão comunitário — termo usado para definir animais que não têm um tutor único, mas vivem em determinada área e recebem cuidados coletivos de moradores ou comerciantes, como alimentação, abrigo e, em alguns casos, vacinação e castração.
Após a repercussão do caso, Santa Catarina aprovou a Lei nº 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário. Segundo o governo estadual, a norma reforça que esses animais também devem ser protegidos pela sociedade e pelo poder público.
A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer todos os fatos e apurar eventuais responsabilidades.

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