Suspeita de infecção viral rara em navio isolado próximo a Cabo Verde mobiliza OMS e autoridades de diversos países após registro de mortes e pacientes em estado grave
Uma doença viral rara, grave e com potencial de alta letalidade voltou a mobilizar autoridades sanitárias internacionais após casos suspeitos e confirmados de hantavírus serem registrados em um navio de cruzeiro isolado próximo a Cabo Verde, na África. Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou a existência de casos confirmados e suspeitos associados ao navio MV Hondius, incluindo mortes e pacientes em estado grave.
Segundo a OMS, o episódio desencadeou ações de monitoramento internacional envolvendo diversos países, incluindo Reino Unido, Holanda, Suíça, França, Dinamarca e Estados Unidos, devido à presença de passageiros de múltiplas nacionalidades a bordo.
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados. A principal forma de infecção ocorre pela inalação dessas partículas suspensas no ar, especialmente em ambientes fechados, pouco ventilados e com infestação de roedores.
OMS monitora casos ligados a cruzeiro
O caso que colocou novamente o hantavírus em evidência envolve um cruzeiro que passou pela Argentina antes de seguir rumo ao Atlântico. De acordo com a OMS, foram identificados casos confirmados e suspeitos da doença entre passageiros e tripulantes.
Autoridades sanitárias internacionais investigam a possibilidade de infecção pela chamada variante andina do vírus, conhecida como “Andes virus”, considerada rara por apresentar registros limitados de transmissão entre humanos — situação diferente da maioria das variantes de hantavírus, que normalmente não se espalham de pessoa para pessoa.
A OMS, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e autoridades sanitárias da África do Sul acompanham o caso. O ECDC informou que o risco para a população europeia é considerado “muito baixo”, apesar da gravidade dos casos registrados.
Doença pode evoluir rapidamente
O hantavírus pode causar diferentes síndromes graves. Nas Américas, a forma mais conhecida é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que compromete pulmões e sistema cardiovascular.
De acordo com o CDC, órgão de saúde pública dos Estados Unidos, os sintomas iniciais costumam incluir febre, dores musculares, fadiga, náuseas e dor abdominal. Dias depois, parte dos pacientes evolui rapidamente para insuficiência respiratória grave, com acúmulo de líquido nos pulmões e necessidade de internação em terapia intensiva.
O CDC informa que a taxa de mortalidade da síndrome pulmonar pode chegar a aproximadamente 38% entre pacientes que desenvolvem sintomas respiratórios graves.
Especialistas alertam que não existe medicamento antiviral específico aprovado para combater a doença. O tratamento é baseado em suporte intensivo, incluindo oxigenação e ventilação mecânica em casos severos.
Histórico de surtos e alerta internacional
Embora rara, a doença já provocou surtos importantes em diferentes países. Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em 1993, na região conhecida como “Four Corners”, nos Estados Unidos, onde dezenas de casos graves levaram autoridades americanas a identificar a síndrome pulmonar causada por hantavírus.
Na América do Sul, especialmente Argentina e Chile, já foram registrados surtos associados à variante andina do vírus. Estudos científicos e organismos internacionais apontam que essa cepa é uma das poucas associadas a possível transmissão entre pessoas em circunstâncias específicas de contato próximo.
No Brasil, os casos são considerados esporádicos e ocorrem principalmente em áreas rurais das regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, geralmente relacionados ao contato com ambientes infestados por roedores silvestres. O Ministério da Saúde mantém monitoramento da doença, principalmente em regiões agrícolas e locais de armazenamento de grãos.
Prevenção depende do controle de roedores
Como não há vacina amplamente disponível contra o hantavírus, as medidas preventivas se concentram no controle de roedores e na redução da exposição a ambientes contaminados.
O CDC orienta evitar contato direto com fezes, urina e ninhos de roedores, além de adotar cuidados especiais na limpeza de galpões, silos, depósitos, celeiros e locais fechados onde possa haver infestação.
Especialistas também recomendam ventilação adequada de ambientes fechados antes da limpeza e uso de equipamentos de proteção, como máscaras e luvas, especialmente em áreas rurais ou locais de armazenamento de alimentos e grãos.
Apesar da repercussão internacional do caso envolvendo o cruzeiro, a OMS informou que, até o momento, o risco para a população geral permanece considerado baixo.

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