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Influenciadora Deolane Bezerra é presa em operação que investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Operação Vérnix apura movimentações financeiras milionárias, uso de empresa de fachada e bloqueio de mais de R$ 357 milhões em bens e contas dos investigados

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. Ela chegou ao Palácio da Polícia Civil, no Centro de São Paulo, às 9h27, após ser detida em sua residência em Alphaville, bairro de Barueri, na Grande São Paulo.

Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, o esquema envolveria uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau (SP), apontada como empresa de fachada utilizada pela cúpula da facção criminosa para movimentação e ocultação de recursos ilícitos.

A operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Entre os alvos estão Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder do PCC; seu irmão, Alejandro Camacho; familiares ligados à facção; além de Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo.

De acordo com os investigadores, as apurações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os documentos continham referências a ordens internas da facção, movimentações financeiras e possíveis ataques contra agentes públicos.

As diligências posteriores levaram os investigadores até a empresa de transportes que, segundo o Ministério Público, funcionava como braço financeiro do grupo criminoso. A partir da análise de aparelhos celulares e movimentações bancárias, a investigação passou a apontar conexões financeiras entre integrantes da organização criminosa e contas vinculadas à influenciadora.

Segundo o inquérito, entre 2018 e 2021, Deolane Bezerra teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar o rastreamento de recursos financeiros. A polícia também identificou depósitos de aproximadamente R$ 716 mil destinados a empresas ligadas à influenciadora por meio de uma empresa registrada em nome de um homem da Bahia com baixa renda declarada.

Ainda conforme a investigação, não teriam sido identificados contratos, pagamentos ou prestação de serviços advocatícios capazes de justificar parte dos valores movimentados. Para os investigadores, a estrutura empresarial, a exposição pública e o patrimônio de alto padrão funcionariam como mecanismos de aparente legalidade para ocultar a origem ilícita dos recursos.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros dos investigados, além da apreensão de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões. Somente em nome de Deolane Bezerra, foi determinado o bloqueio de R$ 27 milhões, valor que, segundo a investigação, não teve origem comprovada até o momento.

Deolane Bezerra já havia sido presa anteriormente, em setembro de 2024, durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, que investigava supostas práticas de lavagem de dinheiro e jogos ilegais relacionados a plataformas de apostas.


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