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Saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira supera R$ 9,6 bilhões em maio

Movimento representa maior retirada mensal parcial desde abril de 2024; mercado acompanha pressão da inflação, juros elevados e cenário global de risco

Investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 9,64 bilhões da B3 desde o início de maio, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. O volume representa o maior recuo mensal parcial registrado desde abril de 2024, quando a saída total de recursos estrangeiros alcançou R$ 11,36 bilhões.

O movimento ocorre após um início de ano marcado por forte entrada de capital externo na Bolsa brasileira. Em janeiro de 2026, a B3 havia registrado um recorde de R$ 26,31 bilhões em aportes estrangeiros, mas os meses seguintes passaram a apresentar desaceleração contínua nesse fluxo.

Apesar da queda recente, o saldo anual ainda permanece positivo. Até o dia 15 de maio, a entrada líquida de capital estrangeiro somava R$ 46,90 bilhões, desconsiderando operações de IPOs e follow-ons. O resultado já supera todo o volume registrado em 2025, quando os investimentos estrangeiros na Bolsa brasileira atingiram R$ 25,47 bilhões.

Mesmo assim, o recorde histórico recente segue sendo o ano de 2022, quando os aportes estrangeiros ultrapassaram R$ 100 bilhões, impulsionados pelo cenário internacional favorável às commodities e pelos juros elevados no Brasil.

Segundo a análise da consultoria, o atual movimento não é interpretado como uma reversão estrutural dos investimentos estrangeiros no país, mas sim como uma mudança de comportamento diante do cenário econômico global.

Entre os fatores apontados para explicar a retirada de recursos estão a realização de lucros após a forte valorização no início do ano, o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais e as oscilações em commodities relevantes, como o petróleo.

A consultoria destaca ainda que o Brasil continua sendo tratado como um mercado de maior risco dentro dos portfólios globais, o que costuma gerar entradas expressivas em períodos de maior apetite por risco e saídas rápidas em momentos de cautela.

Além do cenário externo, os agentes financeiros acompanham com atenção o avanço das expectativas de inflação e juros no Brasil. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vem sendo revisado para cima pelos economistas consultados pelo Banco Central do Brasil. A projeção atual do mercado indica inflação de 4,92% em 2026, acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária.

As estimativas para os juros básicos também seguem elevadas. Segundo o relatório Focus, o mercado financeiro projeta a taxa Selic em 13,25% em 2026. As previsões indicam ainda que os juros brasileiros só devem retornar a patamares abaixo de 10% na próxima década.


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