Ação do Gaeco cumpriu mandados de prisão e busca em cinco cidades paulistas; investigação aponta uso de empresas de fachada e esquema de lavagem de dinheiro
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, deflagrou nesta terça-feira (2) a Operação “Rei do Pix”, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Câmara Municipal de Catanduva, no interior paulista. Segundo o Ministério Público, as apurações indicam que cerca de R$ 10 milhões podem ter sido desviados entre os anos de 2023 e 2024.
Entre os presos estão o ex-presidente da Câmara, Marquinhos Ferreira (PT), e o vereador Carlos Alexandre Batista dos Santos (PP), conhecido como Gordo do Restaurante. Também tiveram mandados de prisão expedidos os ex-vereadores Alan Figueiredo Marçal (PP), conhecido como Allan dos Automóveis, Maurício Gouvea (PT) e Patrick Camelo Rolim César (PRTB).
A Justiça autorizou o cumprimento de dez mandados de prisão e mais de 47 mandados de busca e apreensão nas cidades de Catanduva, Adamantina, Bauru, Jaboticabal e São Paulo. A operação mobilizou 20 promotores de Justiça, 11 agentes da Receita Federal, mais de 200 policiais militares e equipes da Polícia Civil.
De acordo com o Ministério Público, o esquema funcionaria por meio da criação de mais de 60 empresas de fachada registradas em nome de parentes e pessoas ligadas aos investigados. Essas empresas seriam utilizadas para simular a prestação de serviços ao Poder Legislativo municipal e emitir notas fiscais consideradas fraudulentas pela investigação.
Ainda segundo o Gaeco, parte dos valores pagos pela Câmara retornaria aos integrantes da organização criminosa. As investigações também apontam possíveis fraudes em contratos e licitações, além de manobras financeiras destinadas a ocultar a origem dos recursos, o que pode caracterizar crimes de lavagem de dinheiro.
A Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados, com valores que podem chegar a R$ 20 milhões para alguns dos apontados como líderes do esquema, visando garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos. Veículos e valores em dinheiro também foram apreendidos durante a operação.
O nome da operação faz referência ao apelido atribuído a um dos investigados, que, segundo o Ministério Público, era conhecido pela intensa movimentação financeira por meio de transferências eletrônicas. As investigações continuam e os fatos ainda serão analisados pela Justiça. Todos os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

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