Um dos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil, depois do caso do INSS, ganha proteçao da "lei"
O Ministério da Justiça e Segurança Pública decidiu manter sob sigilo por 100 anos os registros de visitas recebidas por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, durante o período em que ele permaneceu custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A decisão foi tomada após a análise de um recurso apresentado com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).
Segundo o Ministério da Justiça, a divulgação da relação de visitantes poderia expor informações pessoais protegidas por lei, envolvendo a intimidade e a vida privada tanto de Vorcaro quanto das pessoas que o visitaram. Em parecer da Ouvidoria-Geral da pasta, o governo afirma que os registros vão além da identificação de atos administrativos e podem revelar vínculos familiares, afetivos, sociais e profissionais dos envolvidos.
Daniel Vorcaro permaneceu por cerca de três meses na Superintendência da PF enquanto negociava um acordo de colaboração premiada, que acabou não sendo firmado. Posteriormente, ele foi transferido para outra unidade prisional do Distrito Federal. O pedido de acesso à lista de visitantes foi apresentado pela imprensa por meio da Lei de Acesso à Informação.
A decisão gerou críticas de especialistas em transparência pública. Para o advogado Bruno Morassutti, diretor da organização Fiquem Sabendo, em casos de elevado interesse público a proteção da privacidade pode ser relativizada, especialmente quando há relevância para o controle social da atuação do poder público.
O caso ocorre em meio às investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, que é alvo de apurações conduzidas pela Polícia Federal e de discussões no Congresso Nacional. Até o momento, o Ministério da Justiça mantém o entendimento de que os registros de visitas devem permanecer protegidos por sigilo, com fundamento na legislação que trata da proteção de dados pessoais e da intimidade dos envolvidos.

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