Operação Barco Furado: Polícia Civil investiga esquema de golpes na venda de embarcações em empresa de Limeira
Estabelecimento recebia pagamentos sem entregar bens náuticos ou concluir serviços; operação apreendeu barcos, lanchas e jet-skis e apura o uso de contas de terceiros para ocultar a origem do dinheiro.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quarta-feira (15) a operação Barco Furado, que investiga um esquema de fraudes na comercialização de embarcações e equipamentos náuticos em Limeira, no interior paulista. Ao todo, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
A operação é resultado de um inquérito policial instaurado após a identificação de um padrão recorrente de golpes praticados por uma empresa do setor náutico, que atuava há cerca de três anos. As investigações apontam que o grupo já é alvo de pelo menos sete boletins de ocorrência e três ações judiciais de cobrança, com prejuízos que somam centenas de milhares de reais às vítimas.
Durante o cumprimento de um dos mandados, no bairro Parque Residencial Roland, um investigado de 63 anos foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo. O armamento apreendido não possuía registro, nota fiscal ou qualquer documentação que comprovasse sua origem.
Já na sede da empresa investigada, foram apreendidas 15 embarcações, entre lanchas, barcos e um jet-ski, além de oito motores de popa de diferentes marcas e potências. Segundo a Polícia Civil, a origem dos bens não foi comprovada e será alvo de investigação.
Também foram apreendidos R$ 6.540 em espécie, oito folhas de cheque, um celular e um cartão bancário. Os materiais serão periciados para auxiliar na investigação sobre a movimentação financeira do grupo.
A ação foi coordenada pelo Setor Especializado de Combate à Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 9), com apoio de equipes do Grupo de Operações Especiais (GOE) e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
A ocorrência foi registrada na Seccold do Deinter 9 como cumprimento de mandado de busca e apreensão, localização e apreensão de veículo e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Como funcionava o golpe?
Segundo a Polícia Civil, o grupo atraía clientes interessados na compra de embarcações, motores, jet-skis ou na contratação de serviços de manutenção e revenda de equipamentos náuticos. Os suspeitos se apresentavam como comerciantes regularmente estabelecidos com loja física em funcionamento.
Após receber pagamentos antecipados via Pix ou cheque, os produtos não eram entregues e os serviços não eram realizados. Quando as vítimas deixavam seus próprios equipamentos na empresa, eles eram retidos sem justificativa. Também não havia emissão de documentos necessários para comprovar a transferência da propriedade.
Diante das cobranças, os suspeitos apresentavam desculpas recorrentes, como atrasos de fornecedores ou problemas de saúde, até interromperem o contato com os clientes. Em alguns casos, as vítimas eram impedidas de entrar no estabelecimento para reaver seus pertences.
Outro ponto apurado pela Polícia Civil é o uso de contas bancárias de terceiros, incluindo familiares dos investigados, para o recebimento dos valores pagos pelas vítimas. Segundo a investigação, os clientes eram orientados a realizar as transferências para essas contas, e não para a conta da empresa. A prática é analisada como uma possível estratégia para ocultar a origem e o destino dos recursos obtidos com as fraudes.


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