Paralisação atrasa etapas de financiamentos imobiliários e afeta profissionais que dependem da assinatura dos contratos e do repasse dos recursos
A greve nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal chegou ao 13º dia nesta quarta-feira (23), sem acordo entre a instituição e os representantes dos trabalhadores. Além de reduzir o atendimento presencial, a paralisação começa a afetar financiamentos imobiliários, corretores e prestadores de serviços terceirizados.
No mercado imobiliário, os principais problemas estão nas etapas que dependem da atuação de funcionários, como análise e conferência de documentos, validação de propostas, elaboração e assinatura de contratos e liberação dos recursos. Os efeitos variam conforme a agência, o setor responsável e a adesão dos empregados à greve.
Para os corretores, o atraso pode comprometer o pagamento das comissões. Em muitas vendas, principalmente de imóveis vinculados ao Minha Casa, Minha Vida, o profissional recebe somente após a assinatura do financiamento e o repasse do dinheiro pela Caixa. Segundo representantes do setor ouvidos pela revista Exame, uma semana de paralisação pode resultar em até 30 ou 40 dias de espera, devido às demais etapas administrativas e aos calendários de pagamento das incorporadoras.
A paralisação também alcança trabalhadores terceirizados. Profissionais da área de tecnologia relataram dificuldades para realizar atividades que exigem acesso presencial aos prédios da Caixa, como manutenção de equipamentos, instalação de programas e renovação de senhas. Com entradas bloqueadas em algumas unidades, demandas estariam acumuladas.
A Caixa afirma que os financiamentos continuam sendo contratados e que diversas etapas podem ser realizadas pelo aplicativo Habitação Caixa, WhatsApp e outros canais digitais. O banco informou anteriormente que não dispunha de dados sobre contratos atrasados. Correspondentes Caixa Aqui também continuam atendendo.
A greve começou em 10 de setembro. O principal impasse envolve o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. A proposta mais recente ampliaria de 6,5% para 9% da folha o limite de participação da instituição no custeio do plano a partir de 2027, mas foi rejeitada pelos trabalhadores.
Pagamentos automatizados, como Bolsa Família e Pé-de-Meia, continuam sendo realizados. Aplicativos, caixas eletrônicos, lotéricas e serviços digitais também permanecem disponíveis. Já operações que exigem avaliação humana ou atendimento presencial podem sofrer atrasos enquanto durar a paralisação.

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