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Em 18 dias, Lula passa da defesa de Moraes a críticas ao STF após o primeiro turno

Em 17 de setembro, presidente destacou atuação do ministro em defesa da democracia; no dia 5 de outubro, afirmou que a situação da Corte pesava sobre sua campanha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu o discurso sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) entre 17 de setembro e 5 de outubro, um intervalo de 18 dias. Antes do primeiro turno, voltou a defender a atuação de Alexandre de Moraes em defesa da democracia. Um dia depois da votação, afirmou que sua campanha estava carregando o peso do que chamou de “promiscuidade” na Corte.

Em 17 de setembro, ao comentar as críticas da família Bolsonaro a Moraes, Lula sustentou que o conflito não tinha origem no caso Banco Master, mas na atuação do magistrado contra os ataques à democracia. Na ocasião, também defendeu que as suspeitas envolvendo integrantes do Supremo fossem analisadas conjuntamente e acusou André Mendonça de conduzir as investigações com viés político.

Após a votação, crítica ao desgaste da Corte

O tom mudou na reunião com aliados realizada em Brasília em 5 de outubro, destinada a discutir a campanha para o segundo turno. No dia anterior, Lula havia terminado a primeira etapa da disputa presidencial atrás de Flávio Bolsonaro (PL).

“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira”, declarou o presidente.

Lula também defendeu uma reforma do Judiciário, com discussão sobre os critérios de escolha dos ministros do STF e a possibilidade de estabelecer mandatos. Disse que a desconfiança da sociedade em relação ao tribunal era um assunto que precisaria ser enfrentado durante a campanha.

Na mesma reunião, o petista reivindicou para sua candidatura a posição antissistema e apresentou Flávio Bolsonaro como representante do sistema. O discurso passou, assim, a combinar críticas à situação do Supremo com uma tentativa de disputar uma das bandeiras exploradas pelo adversário.

Campanha busca separar imagem de Lula da crise

Segundo reportagem da jornalista Marcela Mattos, publicada pelo UOL em 7 de outubro, a campanha avaliou que as suspeitas envolvendo ministros estavam provocando desgaste eleitoral para Lula. A estratégia passou a ser dissociar a imagem do presidente da de Moraes e do caso Master.

De acordo com a publicação, aliados procuraram o presidente do STF, Edson Fachin, para antecipar que Lula aumentaria as críticas até o segundo turno. A explicação apresentada foi que os questionamentos seriam dirigidos ao comportamento de determinados ministros, e não à instituição.

A comparação entre as duas datas mostra a mudança de ênfase: em 17 de setembro, Lula destacou a atuação de Moraes em defesa da democracia; em 5 de outubro, colocou o desgaste do Supremo entre os problemas enfrentados por sua candidatura. O endurecimento ocorreu imediatamente após o primeiro turno e foi acompanhado.


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