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'Não atirou sozinha', diz mãe após denúncia contra pais da adolescente que matou Isabele em Cuiabá




"A garota que matou a minha filha não atirou sozinha”. Essa é a opinião de Patrícia Hellen Guimarães Ramos, mãe da adolescente Isabele Ramos, morta há quatro meses com um tiro acidental no rosto dentro da casa de uma amiga em um condomínio de luxo em Cuiabá (MT). A autora do disparo responde a um processo que tramita em sigilo e, os pais dela, foram denunciados na última semana à Justiça.

Um outdoor em frente ao condomínio onde ocorreu o crime estampa um apelo por justiça (veja o vídeo acima). Para a mãe, a denúncia contra os pais da jovem é um passo importante para que haja punição pela morte da filha.



“Os adultos, os pais [da autora do disparo], são responsáveis por isso de toda forma. Os dois contribuíram para que isso acontecesse aquele dia. O que eu penso e nunca deixei de pensar: A garota que matou a minha filha não atirou sozinha”, afirmou.

Isso porque a arma usada no crime estava sob os cuidados do pai dela. O empresário foi denunciado por posse ilegal de armas de fogo. O revólver foi levado para o local pelo namorado da atiradora.



A defesa dos pais informou que vai aguardar a decisão da Justiça em relação à denúncia para se manifestar. O casal não é réu no processo.

A adolescente que matou a amiga responde por ato infracional, por ser menor de idade. Já os pais, segundo o o promotor Milton Pereira Merquiades, da 6ª Promotoria de Justiça Criminal, podem responder pelas circunstâncias em que a morte ocorreu.



“No momento em que o pai entrega uma arma para uma adolescente para guardar é previsível que algo pode acontecer, e aconteceu. A conduta dos pais foi incontestável para a morte da Isabele. Aqui a gente fala da questão culposa [sem intenção], porque eles não queriam isso, mas a negligência permitiu”, ressaltou.

Além de entrega de arma a menor, os pais também foram denunciados pelos crimes de fraude processual, por suposta alteração na cena do crime, e corrupção de menores.



“Teve um monte de confusões. Quando acionaram as equipes de socorro omitiram a real causa do evento e, além de omitir, começaram a desmontar a cena do crime. Por quê? Porque aqueles objetos que estavam na sala provariam que naquela sala estava ocorrendo o manuseio indevido de armas, isso teria reflexo na futura ação penal”, acusa o promotor.

A denúncia do MP agora deve ser analisada pela Justiça. Não há prazo.



Aniversário

Na semana em que a morte de Isabele completa quatro meses, ela completaria 15 anos de vida.

“Isso pra mim é muito triste, mais triste ainda porque a minha filha era uma garota cheia de vida, cheia de sonhos. Isso tem sido parte de um processo muito doloroso”, lamentou a mãe.
A morte de Isabele ocorreu no dia 12 de julho em um condomínio de luxo no bairro Jardim Itália.



O ex-advogado da família da adolescente que efetuou o disparo explicou, à época, que o pai da autora do tiro acidental estava na parte inferior e pediu para que a filha guardasse a arma no andar superior, onde estava Isabele.

A adolescente pegou o case – uma maleta onde estavam duas armas – e subiu obedecendo ao pai. Apesar de estar guardada, a arma estava carregada.



Segundo o advogado, uma das armas caiu no chão e a adolescente tentou pegar, mas se desequilibrou e o objeto acabou disparando. A menina negou que brincava com a arma ou que tentou mostrar o objeto para a amiga.

A mãe de Isabele, Patrícia, afirmou que estava em casa quando foi chamada pela mãe da menina. Segundo Patrícia, ao chegar no local do crime, encontrou a filha no banheiro e já sem vida.



A adolescente que atirou chegou a ser detida em uma unidade socioeducativa, mas foi liberada para por meio de um habeas corpus um dia depois da internação.

Praticante de tiro

As duas famílias, a da adolescente que disparou, e a do namorado dela, praticam tiro esportivo, de acordo com a investigação da polícia.



A Federação de Tiro de Mato Grosso (FTMT) disse que a adolescente que matou a amiga é praticante de tiro esportivo há pelo menos três anos.

Segundo a federação, o pai e a menina participavam das aulas e de campeonatos há três anos. Os nomes deles constam nos grupos, chamados 'squads', que participavam das competições da FTMT. Outros membros da família também participavam desses grupos e praticam o esporte.

*Com informações de G1.









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