Servidor da Prefeitura de Conchal é Indiciado por Peculato-Desvio e Falsidade Ideológica — Servidor convencia contribuintes de que os valores de dívidas com o município poderiam ser pagos diretamente a ele, aponta inquérito
A Polícia Civil concluiu nas últimas semanas do mês de março, uma investigação
que apurava o envolvimento de um servidor público da Prefeitura de Conchal em
um esquema de desvio de verbas públicas. O inquérito, que teve início em 2024,
foi encaminhado ao Ministério Público, e o servidor — que ocupava cargo efetivo
e também exercia uma função comissionada — foi formalmente indiciado pelos
crimes de peculato-desvio e falsidade ideológica.
Segundo a apuração, o investigado atuava diretamente no setor de execução fiscal do
município, responsável por acompanhar, cobrar e organizar o pagamento de
dívidas de contribuintes com a prefeitura. A investigação apontou que ele
utilizava sua posição para abordar pessoas que tinham débitos com o município,
oferecendo uma suposta facilidade para parcelamento da dívida — mas de forma
irregular.
De acordo com os autos, o servidor convencia os contribuintes
de que os valores poderiam ser pagos diretamente a ele, fora dos canais
oficiais. Em alguns casos, o investigado chegou a efetuar o primeiro pagamento
junto à prefeitura, o que dava aparência de legitimidade à operação. No
entanto, após esse primeiro depósito, ele deixava de repassar as demais
parcelas e ficava com os valores recebidos.
A fraude só veio à tona quando os contribuintes perceberam
que suas dívidas continuavam ativas nos registros municipais, apesar de já
terem efetuado os pagamentos. Ao todo, a Polícia Civil identificou seis
vítimas, com comprovantes bancários de transferências feitas diretamente para a
conta pessoal do servidor.
Além disso, a investigação apurou que o servidor, em pelo
menos uma situação, realizou um parcelamento em nome de um contribuinte sem o
consentimento da própria pessoa, o que levou à imputação do crime de falsidade
ideológica.
Durante o interrogatório, o investigado confirmou que recebeu
os valores, mas alegou que pretendia efetuar os pagamentos assim que fosse
aberto um novo programa de refinanciamento de dívidas pela prefeitura, o que,
segundo ele, não ocorreu no final do ano passado. Ele afirmou ainda que tentou
restituir os valores diretamente às vítimas após perceber que o refinanciamento
não se concretizaria.
A Prefeitura de Conchal, informou ao Jornal F5, que o
servidor foi imediatamente afastado de suas funções assim que surgiram os
primeiros indícios de irregularidade. A administração também informou que um
processo administrativo disciplinar foi instaurado, e que o servidor permanece
afastado durante sua tramitação.
A Polícia Civil reforçou que, até o momento, a apuração
demonstra que o caso se trata de uma ação isolada, sem envolvimento de outros
servidores, gestores ou agentes políticos ligados à prefeitura.
Apesar disso, ainda não é possível mensurar o total do
prejuízo causado aos cofres públicos, uma vez que há suspeitas de que mais
contribuintes possam ter sido vítimas do mesmo esquema. Por isso, a divulgação
ampla do caso é considerada fundamental pelas autoridades.
A orientação é que qualquer pessoa que tenha negociado o parcelamento de dívidas com o município e efetuado pagamento diretamente para o servidor , identificado como M. L. D, de 45 anos, procure a Prefeitura para verificar a regularidade da transação. Se houver suspeita de fraude, a recomendação é que a vítima registre a ocorrência na Delegacia de Polícia Civil ou comunique diretamente o fato ao Ministério Público.
O Jornal F5 tentou contato com o indiciado, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.
É importante ressaltar que, embora o inquérito tenha sido
concluído com todos os apontamentos feitos pela Polícia Civil e o servidor
formalmente indiciado, o investigado ainda terá seu
direito à ampla defesa e ao contraditório garantido na Justiça. Portanto, até
que haja julgamento e eventual condenação, não se pode fazer qualquer
condenação antecipada.
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