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Brasil deixa o Mapa da Fome da ONU, mas desafio ainda persiste em milhares de lares

F5 Conchal e Região

O Brasil foi retirado do Mapa da Fome das Nações Unidas em julho de 2025, segundo anúncio feito pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) durante a Cúpula de Sistemas Alimentares realizada em Roma. A conquista marca o país a um patamar de segurança alimentar considerado satisfatório: menos de 2,5% da população em situação de subalimentação. Esse é o limite técnico estabelecido pela FAO para que um país deixe de integrar a lista global da fome.

O resultado simboliza um dos compromissos centrais do governo Lula, que assumiu em 2023 com o objetivo declarado de "tirar o Brasil do Mapa da Fome", missão já realizada em 2014. No entanto, o país havia retornado ao índice nos anos seguintes, especialmente a partir de 2018, após a retração de políticas sociais e o agravamento da crise econômica. O agravamento da pandemia de Covid-19 também ampliou o quadro de insegurança alimentar em milhões de lares.

Segundo o presidente Lula, o combate à fome é mais do que uma política pública — é uma questão de dignidade. O chefe do Executivo pediu pessoalmente ao ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, que o anúncio oficial da saída do Mapa da Fome ocorresse em uma cozinha solidária apoiada por programas governamentais, como forma de simbolizar o esforço coletivo de combate à insegurança alimentar. Para Lula, a cozinha comunitária representa o resgate da cidadania: “Foi ali que o povo comeu quando o Estado virou as costas”, afirmou.


Entre os principais programas que contribuíram para o avanço estão Bolsa Família, com valores reajustados e novos critérios de acompanhamento, a ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o fortalecimento da merenda escolar e os investimentos na agricultura familiar. Dados do governo mostram que cerca de 15 milhões de brasileiros deixaram de viver em situação de insegurança alimentar grave desde 2023, e a taxa de pobreza extrema caiu para 4,4%, o menor índice registrado desde 2012.

O Brasil também voltou a investir em redes locais de abastecimento e retomou o diálogo com organizações internacionais, garantindo apoio técnico e recursos para o fortalecimento da produção de alimentos. Em nota, a FAO destacou o exemplo brasileiro como “modelo de reconstrução de políticas públicas integradas de combate à fome”.

A saída do Brasil do Mapa da Fome não significa que o problema está resolvido, mas sim que o país voltou a trilhar um caminho consistente de combate à insegurança alimentar. O desafio agora é manter a estabilidade dos programas sociais, proteger os mais vulneráveis e garantir que nenhuma família volte a enfrentar o drama de não ter o que comer.



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