Empresários americanos afetados pelas tarifas de até
50% sobre produtos brasileiros, anunciadas pelo governo Trump, têm agilizado
contatos com senadores brasileiros em Washington, ignorando os ataques do
deputado Eduardo Bolsonaro (PL‑SP).
Em iniciativa articulada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), a missão parlamentar brasileira tem
recrutado apoio de produtores de setores impactados diretamente pelas medidas,
como frutas, café,
carne e suco de laranja —
demonstrando que os prejuízos
econômicos também atingem empresas nos EUA.
A agenda oficial da missão, composta por oito
senadores, começou com um encontro na embaixada brasileira, onde empresários
americanos com investimentos no Brasil se reuniram com parlamentares. Em
seguida, houve reuniões com representantes da Embraer, de produtores de frutas
e café, e na U.S. Chamber of Commerce, a principal entidade empresarial
americana. O objetivo, conforme explicou Trad, é mostrar aos contatos
americanos que a política não está acima dos interesses comerciais —
“empresário não quer saber de política, política é instrumento para sucesso nos
negócios”.
Na sequência, delegações parlamentares foram
recebidas tanto por congressistas democratas quanto republicanos no Capitólio,
com cobrança por uma resposta para os efeitos das tarifas que ameaçam reduzir
em até metade as exportações brasileiras para os EUA. Segundo o senador, o
propósito é “baixar a temperatura” e reforçar a importância de relações
econômicas técnicas, não ideológicas.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro, que representa o
grupo político bolsonarista nos EUA, tenta se colocar como único canal de
interlocução com autoridades americanas — inclusive sugerindo que as delegações
oficiais não possuem mandato para negociar o chamado “tarifaço”. Apesar disso,
os senadores que compõem a missão brasileira escolheram não incluir o deputado
em sua agenda de reuniões, optando por contatos independentes entre setores
afetados e parlamentares americanos.
A pressão soma-se ao discurso interno de que a estratégia de Eduardo Bolsonaro, ao tentar formar um canal paralelo de influência nos EUA, tem sido prejudicial à imagem comercial do Brasil e insuficiente para conter os efeitos práticos das tarifas americanas.
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