Apesar do
impacto significativo da tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, uma lista de exceções
publicada junto à ordem executiva indica que alguns setores estratégicos da
economia brasileira foram poupados da medida. Entre os produtos que não serão
afetados pela sobretaxa adicional de 40% — aplicada sobre a alíquota base —
estão sucos de laranja, celulose e aeronaves civis, incluindo peças e
componentes.
Esses itens,
considerados de interesse direto da indústria e da economia americana,
continuarão entrando no mercado dos EUA sob as tarifas originais, que variam de
0% a 10%, conforme a classificação de cada produto. Na prática, isso significa
que esses setores mantêm as mesmas condições comerciais anteriores à sanção,
enquanto o restante das exportações brasileiras será atingido pelas novas
alíquotas a partir de 6 de agosto.
A isenção
representa um alívio importante para empresas como a Embraer, que exporta
aviões, motores, simuladores e outros equipamentos da aviação civil para o
mercado norte-americano. Esses itens possuem alto valor agregado e respondem
por uma parcela relevante da balança comercial com os EUA. A preservação desse
segmento foi vista como uma decisão estratégica, tanto para os interesses
industriais dos EUA quanto para evitar impactos bilaterais mais profundos.
Outro
destaque é o setor agroindustrial, em especial o suco de laranja, que permanece
isento da nova tarifa. A medida abrange diferentes tipos de suco, como polpa
congelada e suco concentrado ou não concentrado, com variados níveis de Brix.
Os Estados Unidos são o principal destino da exportação brasileira nesse
segmento, e a exclusão da tarifa foi interpretada como uma tentativa de evitar
o encarecimento de produtos essenciais ao consumidor americano.
Na indústria
de base, a celulose química também foi deixada de fora. A isenção inclui tanto
celulose de coníferas quanto de não-coníferas, branqueada ou não. Empresas como
a Suzano, que tem aproximadamente 15% de sua receita atrelada ao mercado
americano, são diretamente beneficiadas. O setor é um dos pilares da exportação
de commodities brasileiras com relevância global.
Além desses
produtos, a ordem executiva também poupa algumas matérias-primas de interesse
energético e itens de baixa agregação de valor, que têm uso direto em cadeias
produtivas norte-americanas. Também foi previsto um prazo de adaptação para a
entrada em vigor da tarifa, e mercadorias já embarcadas até o dia 6 de agosto
poderão ser desembarcadas sem sobretaxa até 5 de outubro.
A decisão de
Trump, embora agressiva em termos diplomáticos, mostra sinais de seletividade
técnica para evitar danos internos à economia dos Estados Unidos. Ainda assim,
setores importantes do agronegócio brasileiro, como café, carnes e frutas, não
foram incluídos na lista de isenções e serão diretamente impactados pela tarifa
total de 50%.



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