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Montadoras alertam Lula sobre risco de demissões com pacote pró-China e pedem tratamento isonômico

F5 Conchal e Região

As montadoras Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis enviaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 15 de junho de 2025, uma carta conjunta alertando que a eventual aprovação de incentivos fiscais e tarifários para empresas chinesas pode comprometer o equilíbrio da indústria automotiva brasileira, gerar desinvestimentos significativos e resultar em demissões em larga escala. O documento, também endereçado ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, demonstra preocupação com a possibilidade de o governo atender ao pleito da montadora chinesa BYD, que solicitou redução das tarifas de importação para kits SKD e CKD utilizados na montagem de veículos no Brasil.

Na carta, os presidentes das quatro montadoras afirmam que essa medida pode levar à substituição da produção nacional pela montagem local de peças importadas da China, com menor geração de valor agregado e menor participação da cadeia de fornecedores nacionais. Segundo os executivos, caso a proposta avance, os investimentos já anunciados — que somam R$ 180 bilhões até 2030 — podem ser revistos em cerca de R$ 60 bilhões. Além disso, estimam um risco imediato à manutenção de até 15 mil empregos diretos e cerca de 50 mil indiretos, especialmente no setor de autopeças.

As montadoras enfatizam que não se opõem à presença de empresas chinesas no Brasil, mas pedem igualdade de condições e rejeitam qualquer tipo de subsídio ou vantagem tarifária que afete a competitividade do setor instalado há décadas no país. “Não estamos tratando da chegada de um novo competidor, mas da possibilidade de quebra de isonomia com a indústria já instalada e comprometida com o desenvolvimento industrial brasileiro”, diz o documento. Elas destacam ainda que a adoção de incentivos para modelos SKD ou CKD, se tornada prática corrente, poderá desestimular a nacionalização de componentes e o desenvolvimento tecnológico no país.

A polêmica gira em torno de um pedido apresentado pela BYD à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para reduzir, até 2028, a alíquota de importação de kits desmontados. Hoje, o imposto de importação para SKD é de 18%, e para CKD, de 20%. A proposta chinesa sugere baixar esses percentuais para 10% e 5%, respectivamente. A análise do caso será feita em reunião extraordinária da Gecex marcada para o dia 30 de julho. Representantes da indústria nacional temem que a medida, caso aprovada, crie um precedente que desestimule a fabricação local em favor da simples montagem de veículos importados.

A carta reforça o pedido de diálogo e prevê impacto imediato na geração de empregos, na manutenção de fornecedores locais e na própria política industrial do governo. Para as montadoras, o momento é decisivo para definir o modelo de futuro da indústria automotiva no Brasil — se baseado na agregação de valor com inovação e produção nacional, ou na dependência de kits importados com baixo conteúdo local.

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