O Banco
Central, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Supremo Tribunal Federal (STF)
estão atentos a possíveis irregularidades envolvendo operações no mercado de
câmbio que antecederam o anúncio do tarifaço imposto pelos Estados Unidos
contra produtos brasileiros. As investigações buscam esclarecer se houve
movimentações atípicas com o dólar que possam indicar o uso de informações
privilegiadas para obtenção de lucros milionários.
O alerta
partiu de um pedido formal do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que
solicitou ao Banco Central a apuração de operações realizadas em 18 de julho,
um dia antes do anúncio oficial das tarifas de 50% por parte do governo de
Donald Trump. O parlamentar pede que sejam identificados os responsáveis,
valores envolvidos, horários das transações e as instituições financeiras que
intermediaram as negociações com valores superiores a R$ 500 mil.
Em paralelo,
a AGU enviou ao STF um pedido de investigação dentro do inquérito 4995/DF, que
já apura a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro em possíveis pressões sobre o
Judiciário e no uso indevido de informações confidenciais. A AGU sugere que as
tarifas impostas pelos EUA poderiam ter sido instrumentalizadas para gerar
instabilidade no mercado, beneficiando grupos com acesso antecipado à decisão e
ampliando o lucro com a variação cambial.
Segundo
reportagem veiculada pelo Jornal Nacional, horas antes do anúncio oficial,
investidores compraram entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões a uma cotação de R$
5,46. Após o tarifaço e o consequente aumento do dólar, essas operações teriam
sido revertidas com vendas a R$ 5,60, gerando um lucro estimado entre R$ 420
milhões e R$ 560 milhões.
Economistas
como Eduardo Velho, da Equador Investimentos, consideraram o movimento no
câmbio “estranho” e fora do padrão, embora ressaltem que só uma investigação
rigorosa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) poderá confirmar se houve
vazamento de informações ou manipulação do mercado.
No mesmo dia
das operações suspeitas, o então presidente da CVM, João Pedro Nascimento,
renunciou ao cargo exatamente três anos após sua posse. O diretor Otto Lobo
assumiu interinamente a presidência da comissão. A saída inesperada reforçou as
desconfianças sobre o momento delicado vivido pelo mercado financeiro
brasileiro.
O Banco
Central já iniciou a análise das operações consideradas atípicas. A AGU aguarda
decisão do STF quanto à abertura formal de investigação e a CVM poderá
instaurar um processo específico para apurar os fatos.
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