América do Sul: Guiana e Trinidad apoiam ação dos EUA; Argentina e Paraguai dão apoio indireto contra cartel
O avanço
militar dos Estados Unidos no Caribe, com o envio de navios de guerra e
submarinos para a costa da Venezuela, provocou reações distintas entre os
países da América do Sul. Enquanto algumas nações manifestaram apoio direto à
operação naval, outras se limitaram a endossar a justificativa americana de
combate ao crime organizado, sem assumir posição oficial sobre a presença
militar.
Segundo o
Financial Times, a Guiana foi uma das primeiras a declarar apoio aberto à
movimentação norte-americana, ressaltando que a luta contra o narcotráfico e o
crime transnacional está alinhada ao compromisso do país em manter sua região
como “Zona de Paz”. O governo guianense vive um histórico de tensão com Caracas
por disputas territoriais, o que torna seu posicionamento estratégico.
Também no
Caribe, Trinidad e Tobago manifestou apoio explícito. De acordo com o Latin
Times, o governo chegou a afirmar que permitiria o uso de seu território pelas
forças norte-americanas caso o regime de Nicolás Maduro atacasse a vizinha
Guiana. A posição é vista como um gesto raro de alinhamento militar aberto com
Washington na região.
Já no
interior da América do Sul, as manifestações foram mais cautelosas. O El Toque
destacou que tanto o Paraguai quanto a Argentina declararam considerar o
chamado “Cartel de los Soles” — organização vinculada a setores militares
venezuelanos e apontada como responsável por rotas internacionais de drogas —
como uma organização terrorista internacional. O chanceler paraguaio Ruben
Ramírez afirmou que o problema não se restringe aos Estados Unidos, mas atinge
toda a região. A Argentina fez declaração semelhante, mas sem citar diretamente
a operação americana.
Na prática,
tanto Assunção quanto Buenos Aires se alinham ao discurso de Washington sobre a
ameaça representada pelo cartel, mas não declararam apoio direto à presença
militar dos EUA na costa venezuelana. O posicionamento é classificado por
analistas como um apoio indireto, por legitimar a narrativa que sustenta a
operação, sem, no entanto, endossar a mobilização naval em si.
Por outro lado, países como Brasil, Uruguai e Equador não se pronunciaram oficialmente até o momento sobre a ação americana. Segundo a Reuters, o silêncio desses governos reflete a complexidade diplomática do tema, já que um apoio aberto poderia ampliar as tensões regionais, enquanto uma crítica direta poderia ser interpretada como alinhamento com Caracas.



Comentários
Postar um comentário
Olá, agradecemos a sua mensagem. Acaso você não receba nenhuma resposta nos próximos 5 minutos, pedimos para que entre em contato conosco através do WhatsApp (19) 99153 0445. Gean Mendes...