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Afastamentos por saúde mental crescem 134% em dois anos no Brasil

F5 Conchal e Região

Os afastamentos do trabalho por problemas de saúde mental vêm apresentando crescimento expressivo no Brasil. Dados oficiais do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab) — iniciativa conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) — apontam que o número de benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo INSS devido a transtornos mentais e comportamentais aumentou 134% no período de 2022 a 2024.

Em 2022, foram registrados cerca de 201 mil afastamentos dessa natureza. Já em 2024, o número chegou a 472 mil, o maior patamar da série recente. Esses benefícios, conhecidos anteriormente como auxílio-doença, são concedidos a trabalhadores segurados quando a incapacidade para o trabalho ultrapassa 15 dias. O dado reflete apenas o universo do emprego formal coberto pela Previdência Social, não abrangendo trabalhadores informais ou servidores estatutários fora do Regime Geral de Previdência Social.


Entre os diagnósticos mais associados aos afastamentos estão as reações ao estresse, que representaram 28,6% dos casos, seguidas por transtornos ansiosos (27,4%), episódios depressivos (25,1%) e depressão recorrente (8,4%). O levantamento indica ainda que setores como bancos múltiplos, comércio varejista de hiper e supermercados e hospitais passaram a registrar participação maior nos afastamentos por transtornos mentais nos últimos dez anos, revelando mudanças no perfil de risco ocupacional.

Os registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde, corroboram essa tendência. As notificações de agravos relacionados ao trabalho, que incluem transtornos mentais, passaram de 392,2 mil em 2022 para 598,8 mil em 2024, um aumento de mais de 50% no período. Esse avanço aproxima os números da vigilância em saúde no SUS dos registros previdenciários do INSS.

Apesar da magnitude dos números, a cobertura de políticas públicas específicas ainda é restrita. Levantamento da Série SmartLab 2025 mostra que apenas 46% dos municípios brasileiros declararam possuir programas voltados a transtornos mentais relacionados ao trabalho. Além disso, o próprio Observatório ressalta que as estatísticas podem sofrer revisões em razão de notificações tardias, mas a tendência de crescimento se mantém estável.



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