Receber em Conchal a Superiora Geral das Filhas de São
Camilo, Irmã Camiliana Zélia Andrighetti, foi um momento que vai além da
informação jornalística: é também um convite à reflexão sobre vocação, serviço
e esperança. Religiosa brasileira, eleita em 2014 para liderar a congregação
fundada em Roma em 1892 por Padre Luiz Tezza e Madre Josefina Vannini, e
reeleita em 2021, Irmã Zélia conduz hoje, a partir de Grottaferrata, próxima a
Roma, uma missão presente em cerca de 40 países e com cerca de mil religiosas
espalhadas pelo mundo.
Em sua passagem por Conchal, ela falou com exclusividade ao
F5 sobre sua história, a missão camiliana, os desafios da vida religiosa e o
futuro das obras mantidas no Brasil, em especial o Hospital Madre Vannini,
administrado pelas irmãs na cidade. Suas palavras, carregadas de simplicidade e
espiritualidade, tocam o coração e revelam a essência de uma vida entregue ao
cuidado do próximo.
A vocação religiosa, conta, surgiu ainda na infância:
“Desde
criança eu queria ser irmã. Não sei dizer exatamente o porquê, mas sentia a
alegria de poder ajudar os outros. Foi esse desejo que me conduziu.”
Ao encontrar as Filhas de São Camilo, descobriu a
espiritualidade dedicada ao serviço de enfermagem e à atenção especial aos
doentes do mundo. Para ela, cuidar de um paciente é reconhecer em cada rosto a
presença viva de Cristo.
“Não é
apenas um trabalho ou um chamado. A espiritualidade camiliana é, sobretudo, a
vivência na presença de Deus, que nos dá a força para enfrentar as adversidades
e permanecer firmes na missão.”
Ao retornar à cidade, Irmã Zélia se mostrou emocionada
com a transformação do hospital:
“A última vez que estive aqui foi em 2017. Hoje encontro uma realidade diferente, um ambiente vivo, de movimento, em que a instituição está aberta para assistir e aliviar a população.”
Ela recordou também os anos difíceis em que o hospital esteve
ameaçado de fechar, momento em que a comunidade se mobilizou para preservar um
serviço essencial. “Foi a mão de Deus
que sustentou. Quem reclama hoje, com certeza reclamaria muito mais se não
houvesse hospital em Conchal”, recorda o jornalista Gean Mendes durante
a entrevista, lembrando do nascimento do próprio F5 nesse contexto.
Com serenidade, Irmã Zélia explicou a diferença de uma
obra religiosa filantrópica:
“O que é
entrado é aplicado no hospital. Não temos salários próprios, não buscamos
lucros. Vivemos da Providência e das orações. Essa dedicação faz com que o
hospital esteja disponível 24 horas, sempre.”
Ela destacou a importância de mostrar que os recursos
recebidos pela instituição são fiscalizados e direcionados estritamente ao que
foram destinados. “Não é possível usar
verbas de forma diferente. Temos auditorias externas anuais que comprovam a
aplicabilidade de cada valor. A confiança da população e do poder público se
constrói com seriedade e clareza.”
Ao projetar o futuro, a Superiora Geral deixou claro
que a prioridade das Filhas de São Camilo é consolidar e fortalecer as obras já
existentes:
“O hospital
de Conchal tem grande potencial, assim como os de Benezete Costa e Cuiabá. Não
buscamos abrir novos espaços, mas garantir que os que já existem tenham
sustentabilidade, ampliem sua capacidade de atender mais à população. A cidade
cresce, e o hospital precisa acompanhar esse crescimento.”
A pandemia e o testemunho da fé
Um dos relatos mais fortes da entrevista foi a lembrança do
período da pandemia de Covid-19. Em 2020, 73 irmãs foram contaminadas, 57
testaram positivo e quatro perderam a vida. Para Irmã Zélia, foi um tempo de
oração, dor e solidariedade:
“Na nossa
Casa Geral, das 73 irmãs, 57 testaram positivo. Foi um tempo de isolamento e
solidão, mas também de profunda solidariedade. O Santo Padre rezou conosco,
enviou apoio. Sentimos o quanto a presença e a proximidade da Igreja nos sustentaram.”
O chamado à juventude e às famílias
Ao falar aos jovens, Irmã Zélia reforçou a importância de
escutar o desejo interior da vocação, que muitas vezes se manifesta ainda na
infância:
“Os pais
não devem nunca apagar essa voz interior que os filhos podem expressar. O jovem
não deve ter medo de servir. A felicidade verdadeira está no gesto de doar-se.
É muito mais gratificante ajudar do que ser servido.”
Ela lembrou a orientação que recebeu ainda noviça: sempre
tratar o paciente como se fosse a própria mãe, avó ou como se fosse ela mesma. “Se eu posso servir, amanhã talvez
precise ser servida. Essa consciência nos torna mais humanos.”
Encerrando a entrevista,
Irmã Zélia deixou uma mensagem que sintetiza sua missão:
“Que nunca percamos a alegria de servir e a esperança de dias melhores. A esperança é o que nos faz caminhar. Sozinhos não somos nada, mas juntos nos tornamos instrumentos de esperança no coração do mundo.”

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