Favela do Moinho: operação prende suspeitos ligados ao tráfico - Segundo o MP, o principal alvo foi Alessandra Moja Cunha, que se apresentava como liderança comunitária, mas, conforme as investigações, atuava em defesa dos interesses do tráfico
O Ministério Público de São Paulo, em conjunto com as
polícias Civil e Militar, deflagrou nesta segunda-feira (8) a Operação Sharpe,
voltada ao combate ao tráfico de drogas e à atuação de facções criminosas na
Favela do Moinho, região central da capital paulista. A investigação, que é um
desdobramento da operação Salus et Dignitas de 2024, apontou que o local era
utilizado como base de apoio ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
. Ela é irmã de
Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Leo do Moinho, apontado como chefe do
crime organizado na comunidade. Alessandra teria usado sua posição para exercer
influência sobre os moradores e proteger a atuação da facção, inclusive durante
o processo de desocupação da área.
Além dela, também foram presas a filha Yasmin Moja e o marido
Roberto, detido em flagrante após a localização de drogas e álcool em sua
residência. Outro alvo foi José Carlos da Silva, conhecido como Carlinhos, que,
de acordo com a apuração, teria sido indicado por Leo para assumir o comando
local após sua prisão. A operação também prendeu Jorge de Santana, acusado de
guardar drogas e armas em um bar de sua propriedade, e Cláudio dos Santos Celestino,
o Xocolate, proprietário de imóveis usados para armazenar entorpecentes, armas
e como pontos de lavagem de dinheiro. Dois outros homens foram detidos,
elevando a oito o número de presos confirmados.
O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite,
comentou o caso afirmando que “não se tratava de uma líder comunitária, mas de
uma líder do tráfico”, reforçando a avaliação de que a associação comunitária
foi usada como fachada para atividades ilegais. A CNN Brasil e o Estadão
informaram que a reportagem busca contato com as defesas dos investigados.
A Favela do Moinho, localizada sob o viaduto Orlando Murgel,
abriga cerca de 375 domicílios e está em processo de remoção pactuado entre
governos estadual e federal. O acordo prevê a transformação da área em parque
urbano e o reassentamento das famílias, cada uma recebendo R$ 250 mil em
indenização, sendo R$ 180 mil do governo federal e R$ 70 mil do estadual. De
acordo com o MP, lideranças do tráfico tentaram explorar esse processo,
cobrando valores de moradores em troca de facilidades para o reassentamento.
A presença de Alessandra no ato oficial, portanto, ocorreu
menos de dois meses antes de sua prisão. O episódio gerou repercussão política
porque a então representante da associação de moradores dividiu o palco com o
presidente Lula e ministros, sendo vista em posição de destaque ao lado de
integrantes do governo federal.
À época, Alessandra defendia publicamente os interesses da
comunidade no processo de desocupação da área, que prevê a indenização de R$
250 mil por família e a transformação do espaço em parque urbano. De acordo com
o Ministério Público, no entanto, essa atuação teria servido de fachada para o
fortalecimento da rede criminosa chefiada por seu irmão, Leo do Moinho.
As investigações apontam que, além de participar das negociações com órgãos governamentais, Alessandra também exercia influência sobre os moradores, chegando a cobrar valores para facilitar processos ligados ao reassentamento. O MP sustenta ainda que a associação comunitária foi usada como instrumento para dar legitimidade a ações vinculadas ao tráfico.

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