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Fé, paciência, companheirismo e muito amor marcam os 63 anos de casamento dos conchalenses Wilson e Terezinha Lozano

Eles se conheceram na juventude, quando Wilson entregava pão de carrocinha no sítio da família de Terezinha. Anos depois, já com 20 anos, um olhar diferente virou conversa; a conversa virou namoro; o namoro virou noivado. Em setembro de 1962, um dia antes de completar 22 anos, ele e Terezinha disseram “sim” e começaram uma vida a dois que chega, neste mês, aos 63 anos de casamento, as Bodas de Sândalo.

A história do casal passa por São Paulo. Logo após o casamento, mudaram-se para a capital, moraram com a sogra por um período e, em Diadema, ergueram a própria casa aos fins de semana, durante cinco anos, com a mão de obra do pai pedreiro e o esforço de ambos para comprar materiais. Doze anos depois, voltaram a Conchal, onde montaram uma fábrica de calçados. Vieram os quatro filhos, nove netos e quatro bisnetos. “A família é a minha fortuna”, resume Wilson. “É a minha riqueza”, completa Terezinha.

Os primeiros anos, admitem, foram os mais difíceis: adaptação de rotinas, temperamentos e modos de criação distintos. Eles não romantizam: houve divergências, houve cansaço. Mas estabeleciam um combinado: superar as dificuldades qualquer que fossem. Palavras simples sustentaram o pacto: “Um beijo selava a paz”.

Wilson, que ainda hoje confessa ser “mais bravinho”, lembra que o “boa-noite sem beijo” nunca existiu. Com paciência e sabedoria, determinaram o rumo: “Pensa no casamento, pensa no futuro”, conta Terezinha. Essa convicção tornou-se uma fórmula para os encontros de noivos que orientou por mais de três décadas: “Casar para ser feliz é começo de egoísmo. A gente casa para fazer o outro feliz.” O resultado, acreditam, é o amadurecimento de um diálogo silencioso que o tempo lapidou: “Hoje, ele olha para ela e sei o que quer dizer; ela olha para mim e sabe o que quer falar.”

Há passagens que o casal chama de “mão de Deus”. Numa delas, tempos apertados na capital, Terezinha e duas crianças adoeceram ao mesmo tempo. Wilson perdeu um dia de trabalho para levá-los ao médico. No dia seguinte, a caminho do ponto do táxi, encontrou um relógio na trajetória;

mais tarde, descobriu tratar-se de um Rolex. A venda pagou a entrada do terreno para a família. Eles não têm dúvida: a providência se manifestava em momentos de maior dificuldade.


O casal foi personagem de outra história quase cinematográfica. Nos anos 70, Wilson comprou uma moto rara e muito admirada. O dia em que a vendeu, Terezinha abraçou a “única bicicleta” dos filhos, com a famosa frase: “Nunca tive nada e, mais tarde, fui rica de amor”.

Para casas que pensam em desistir, a mensagem vem sóbria, sem fórmulas mágicas: o início é a fase mais exigente; a adaptação pede tempo e paciência; e as diferenças podem naufragar um casamento ou se transformar em complementariedade. O norte, repetem, é simples e exigente: “Fazer o outro feliz.” Quando isso se torna compromisso comum, o amor contra o tempo vence.

Sessenta e três anos depois, o casal reconhece a permanência de escolhas renovadas: a casa construída aos poucos, o trabalho que se refaz, a mesa cheia, os afetos multiplicados, os beijos de boa-noite que atravessam décadas. Entre fé, esforço e ternura, Terezinha e Wilson oferecem mais que lembranças: oferecem horizonte.

As comemorações também dizem muito sobre o que valorizam. Em vez de festas, preferem reunir a família em viagens ou fins de semana prolongados: “Ver todo mundo junto, brincando, é a nossa maior alegria”, afirma Terezinha.

Quando perguntados pelos momentos mais felizes, não hesitam: “O nascimento dos filhos”, diziam em coro, abrindo espaço para as alegrias com netos e bisnetos.

E o que cada um mais admira no outro? Wilson responde sem pausa: “A Terezinha é meu porto seguro. Nas horas boas e ruins, eu sei que ali estou seguro.” Terezinha retribui: “Ele é determinado e fiel. Sempre colocou a família toda à frente. São qualidades que só fazem questão da honestidade e de ser bom pai”.

Em meio às confissões, aparece com espontaneidade o desabafo: “É bem difícil ser ‘bravinho’ dela – e ela aguentar.”

Os acertos permanecem sempre “entre nós dois e Deus: maioria absoluta”, nas palavras dele.




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