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Fux é o único juiz de carreira na mais alta corte do Brasil. No Judiciário, juiz de carreira é aquele que ingressa por concurso público e percorre toda a trajetória interna, desde a primeira instância até os tribunais superiores.


A expressão “juiz de carreira” costuma ser associada ao ministro Luiz Fux quando se fala da composição do Supremo Tribunal Federal (STF). A distinção se deve ao percurso singular de Fux dentro da magistratura, em contraste com a maioria dos colegas da Corte, que chegaram ao tribunal a partir de outras áreas do Direito.

O que significa ser juiz de carreira

No Brasil, a magistratura de carreira é composta por profissionais que ingressam no Judiciário por concurso público e avançam progressivamente dentro da estrutura: primeiro como juízes de direito em varas, depois como desembargadores em tribunais estaduais ou federais, podendo mais tarde chegar a cortes superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Trata-se de uma trajetória interna, marcada por promoções e movimentações dentro do próprio Judiciário, o que difere daqueles que assumem cargos nos tribunais superiores após carreiras externas, como a advocacia, o Ministério Público, a docência acadêmica ou funções no Executivo.

A trajetória de Luiz Fux

Luiz Fux ingressou no Judiciário em 1983, como juiz de direito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, após aprovação em concurso público. Ao longo da carreira, foi promovido a desembargador e, em 2001, nomeado ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Após uma década no STJ, em 2011, chegou ao STF por indicação da então presidente Dilma Rousseff.

Esse percurso faz de Fux o único ministro da atual composição que efetivamente percorreu toda a carreira judicial, do primeiro grau ao topo da estrutura do Judiciário.

O perfil dos demais ministros

Embora o STF seja composto por 11 integrantes, a diversidade de origens jurídicas é característica da Corte. A Constituição não exige que o ministro seja juiz, mas sim que tenha notável saber jurídico e reputação ilibada. Por isso, a maioria dos ministros veio de outras áreas.

Composição atual do STF (2025):

*Luís Roberto Barroso (2013, Dilma Rousseff): advogado de longa carreira e professor universitário.

*Cármen Lúcia (2006, Lula): procuradora do Estado de Minas Gerais e professora de Direito Constitucional.

*Dias Toffoli (2009, Lula): advogado, consultor jurídico e ex-advogado-geral da União.

*Luiz Fux (2011, Dilma Rousseff): magistrado de carreira, ex-desembargador e ex-ministro do STJ.

*Alexandre de Moraes (2017, Michel Temer): advogado, professor, ex-secretário de segurança pública e ex-ministro da Justiça

*Edson Fachin (2015, Dilma Rousseff): advogado, professor e ex-procurador do Estado do Paraná.

*Gilmar Mendes (2002, Fernando Henrique Cardoso): advogado-geral da União, professor e consultor jurídico

*André Mendonça (2021, Jair Bolsonaro): advogado da União, ex-ministro da Justiça e pastor presbiteriano.

*Kassio Nunes Marques (2020, Jair Bolsonaro): juiz federal de carreira e ex-desembargador do TRF-1.

*Cristiano Zanin (2023, Lula): advogado, conhecido pela atuação em grandes casos criminais, incluindo a defesa do presidente Lula.

*Flávio Dino (2023, Lula): juiz federal aprovado por concurso nos anos 1990, mas com trajetória marcada por cargos políticos e administrativos, como deputado, ministro e governador do Maranhão.

A principal distinção é que, dos atuais ministros, apenas Fux fez toda a escalada dentro da magistratura até o Supremo.

Kassio Nunes Marques e Flávio Dino também foram juízes concursados, mas interromperam a carreira para seguir caminhos distintos: no caso de

Nunes, alcançando o TRF-1; e no de Dino, optando pela política após anos como juiz federal.

Os demais membros do tribunal chegaram ao STF após reconhecimento em outras frentes do Direito: advocacia, docência, consultorias jurídicas ou cargos públicos.

Esse mosaico de experiências não é casual: reflete a abertura da Constituição para diferentes perfis jurídicos, ampliando o debate interno do tribunal. A presença de ministros com vivência na magistratura convive com a de outros que atuaram no Executivo, no Ministério Público ou na advocacia, gerando pluralidade de visões na interpretação constitucional.

Luiz Fux é, na prática, o único ministro do STF que percorreu todo o caminho da magistratura de carreira até o Supremo. Essa singularidade o diferencia dos demais colegas, sem diminuir a relevância de trajetórias diversas que também compõem a Corte. A atual composição reflete justamente essa diversidade de origens, combinando experiências jurídicas e institucionais distintas na mais alta instância do Judiciário brasileiro.



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