Pular para o conteúdo principal

Mais de 670 brechós movimentam mercado de itens usados nas regiões de Campinas e Piracicaba

Pesquisa do Sebrae-SP revela comportamento de compra dos consumidores que frequentam esses estabelecimentos.

O mercado de brechós vem ganhando destaque em todo o país, com o consumo de itens usados em alta – movimento que ocorre também nas regiões de Campinas e Piracicaba. Juntas, as cidades somam 675 pequenos negócios do setor, sendo a maioria nas metrópoles Campinas e Piracicaba, além das vizinhas Americana e Limeira.

Conforme pesquisa realizada pelo Sebrae-SP, a maioria dos brechós na região são microempreendedores individuais (MEIs), com 470 negócios nessa categoria. Na sequência, há 183 negócios classificados como microempresas (ME) e outras 22 como empresas de pequeno porte (EPP).

O levantamento analisou também o comportamento de compra dos consumidores que frequentam os brechós. O estudo mostra os principais motivos que levam o público a optar por esse tipo de comércio, que vão desde o preço mais baixo até a sustentabilidade aliada ao consumo consciente – tendências que crescem a cada ano.

“O aumento na procura por brechós é reflexo direto da busca por consumo consciente, economia e autenticidade. Temos observado um público cada vez mais jovem e engajado, que valoriza peças únicas, sustentabilidade e propósito na hora de comprar”, afirma a analista de negócios do Sebrae-SP, Évelly Moraes.

A jornalista Amanda Reis, de Amparo, é uma das consumidoras fiéis de brechós e destaca que a experiência de compra é muito diferente de uma loja convencional. “Além de preços mais acessíveis e da contribuição ao consumo sustentável, já que muitas peças são de segunda mão e ainda têm vida útil, o ato de garimpar torna tudo especial, despertando memórias afetivas e trazendo a chance de encontrar desde itens vintage até opções para ocasiões específicas, como festas ou eventos temáticos.”

Deborah Maria Cintra Vilela Loureiro é fundadora e diretora do Brechó La Première, de Piracicaba. O negócio começou há 10 anos em um espaço pequeno, mas hoje conta com loja física e online, atendendo clientes em todo o país. “Trabalhamos com roupas, calçados e acessórios femininos, com destaque para peças modernas, atuais e com marcas renomadas. Nosso foco vai além da venda: buscamos oferecer uma experiência de boutique, com atendimento humanizado, araras de novidades todos os dias e uma curadoria que valoriza peças únicas, bem cuidadas e com estilo.”

Ela afirma que o mercado de brechós vive atualmente um “momento de ouro”. “O consumo consciente deixou de ser só tendência e se tornou realidade, especialmente entre mulheres que querem se vestir bem, com estilo, sem abrir mão da economia e da sustentabilidade”, opina.

Deborah acrescenta que o crescimento também faz aumentar a conscientização do consumidor. “Para mim não é só vender roupa usada. É transformar a forma como as pessoas consomem moda. É dar nova vida às peças e às histórias que elas carregam.”

Diversão e economia

Amanda Reis compartilha dicas para consumidores que querem começar a explorar esse universo: entender a diferença entre bazar e brechó, mapear estabelecimentos na região para fortalecer o comércio local, reservar tempo para garimpar e negociar preços, além de considerar reparos e customizações que permitem adaptar as peças ao estilo de cada um. “Comprar em brechó é divertido, econômico e único”, afirma.

A empresária Raissa Specian, de Campinas, consumidora assídua de brechós, considera que há vantagem no valor da peça usada em comparação a uma nova, já que ela custaria bem mais. “Às vezes, é apenas uma peça para teste, ou provisória, então me sinto melhor pagando menos. Eu gosto de brechós com curadorias de qualidade e com foco na conservação.”

Pesquisa estadual do Sebrae-SP

A pesquisa Brechós 2025 foi elaborada a partir de duas sondagens: a primeira apresenta as estatísticas que caracterizam o varejo de produtos usados (brechós) no estado de São Paulo. Já a segunda mostra os resultados de pesquisa de campo com 400 consumidores de brechós, com coleta de dados realizada entre os dias 23 de abril e 4 de maio de 2025.

De acordo com os dados, o estado conta com 7.348 pequenos negócios no comércio varejista de produtos usados, sendo 5.211 (71%) MEIs. Tendências como sustentabilidade e consumo consciente têm estimulado o crescimento desse mercado, cujo gasto médio por compra varia entre R$ 50 e R$ 100.

Entre os itens mais procurados estão artigos do vestuário, com destaque para roupas masculinas (51%), roupas femininas (50%), calçados (46%), acessórios como bolsas, bijuterias e óculos (43%) e roupas de grife (42%). Os principais motivos que levam os consumidores a comprarem em brechós são os preços mais baixos (71%), a qualidade dos produtos (45%) e a sustentabilidade aliada ao consumo consciente (43%).

Quanto à frequência de compra, 32% dos entrevistados costumam comprar em brechós a cada dois meses – em média seis compras por ano. Outros 22% compram uma vez por semestre (duas compras por ano). A pesquisa revela ainda que 84% dos consumidores preferem realizar as compras em brechós físicos, enquanto os brechós online possuem 40% da preferência.



Comentários

Mais lidas

Homem é preso após cortar cabelo da namorada durante discussão por ciúmes em Engenheiro Coelho

Operação Consilium I prende seis pessoas e apreende drogas, simulacros e moto de origem ilícita na região de Limeira

Prefeito Junior Caleffi sanciona Plano de Carreira da Guarda Civil Municipal de Conchal

Secretaria de Saúde de Conchal implanta novo sistema de agendamento de exames e encaminhamentos na rede municipal

PF realiza operação contra fraudes no sistema financeiro e bloqueia até R$ 670 milhões ligados ao Banco Digimais