Pular para o conteúdo principal

Caso Banco Master: investigadores consideram descabida ordem para PGR analisar provas da Operação Compliance Zero



Investigadores que acompanham a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, avaliaram como descabida a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o envio das provas apreendidas à Procuradoria-Geral da República para extração e análise do conteúdo. A decisão foi proferida na noite de quarta-feira (14), em mais um recuo do magistrado no âmbito do caso que envolve o Banco Master.

Inicialmente, Toffoli havia determinado que todo o material apreendido — incluindo celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos — permanecesse lacrado e acautelado no STF. A medida provocou reação imediata tanto da Polícia Federal quanto da Procuradoria-Geral da República, que alertaram para o risco de perda de informações sensíveis, especialmente diante da possibilidade de acesso remoto aos aparelhos e eventual destruição de provas.

Diante das críticas, o ministro recuou parcialmente e autorizou o envio dos itens apreendidos com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros investigados, para que a PGR realizasse a extração e a análise dos dados. A decisão atendeu a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que argumentou ser necessária a análise direta do material para a adequada formação da opinião ministerial quanto à materialidade e à autoria dos delitos apurados.



Segundo Gonet, a atuação da PGR na análise das provas poderia acrescentar um juízo adicional sobre a participação individual de cada investigado nos fatos sob apuração. Para peritos e investigadores ouvidos no caso, no entanto, a medida continua sendo questionável do ponto de vista técnico e jurídico.

A avaliação é de que a extração e a análise de dados apreendidos são atribuições típicas da perícia criminal, conforme previsto no Código de Processo Penal, e que a transferência dessa etapa à PGR pode configurar invasão de competência. Na visão de investigadores, Toffoli poderia ter determinado apenas a extração e a preservação do conteúdo, sem autorizar qualquer análise prévia por outro órgão que não a perícia oficial.

Entre pessoas que acompanham de perto o caso, permanece a percepção de que o ministro buscou evitar que os dados extraídos fossem analisados diretamente pela Polícia Federal sem sua autorização expressa, o que mantém o debate sobre os limites institucionais e o impacto das decisões judiciais no andamento das investigações.


Comentários

Mais lidas

Jovem dada como desaparecida é localizada pela Polícia Civil em Conchal; casal é preso por denunciação criminosa ao simular sequestro.

Mulher leva 21 pontos após ataque de pitbull no bairro Parque Industrial, em Conchal

Polícia Militar captura procurado pela Justiça durante patrulhamento em Conchal

Gate recebe homenagem por ação que resgatou mulher mantida refém e evitou feminicídio em Conchal

Homem é preso por tráfico de drogas após denúncia em Conchal