ORIGEM E CRESCIMENTO ACELERADO
Fundado na década de 1970 a partir da Máxima Corretora de Valores, o Banco Master permaneceu relativamente discreto até a entrada do empresário Daniel Vorcaro; que adquiriu participação na instituição em 2017, assumiu o controle em 2019 e rebatizou a marca em 2021.
Sob nova gestão, o banco adotou uma estratégia agressiva de captação baseada principalmente em títulos de renda fixa com retornos acima da média. O movimento impulsionou a carteira de Certificados de Depósitos Bancários (CBDs), que saltou de cerca de R$ 2,5 bilhões para mais de R$ 40 bilhões até 2025, atraindo centenas de milhares de investidores.
Especialistas, contudo, apontam que o crescimento acelerado foi sustentado por ativos de alto risco e por custos elevados de captação – um modelo vulnerável a qualquer perda de confiança do mercado.
OPERAÇÕES ARRISCADAS E SINAIS DE INSOLVÊNCIA
A
partir de 2025, vieram à tona dificuldades para manter a solidez
financeira.
Investimentos lastreados em precatórios e créditos
judiciais – muitos dependentes de decisões futuras – elevaram a
exposição de riscos.
Uma tentativa de aquisição parcial pelo banco de investimentos BTG Pactual revelou irregularidades relevantes, incluindo ativos cujos valor dependia de decisões judiciais incertas. A operação foi abandonada após auditorias indicarem inconsistências na carteira.
Paralelamente, o Banco de Brasília (BRB) injetou R$ 16,7 bilhões na instituição entre 2024 e 2025 por meio da compra de carteiras de crédito. Investigações posteriores apontam suspeitas de revenda dos mesmos ativos ao banco estatal sem lastro adequado.
Uma tentativa do BRB de adquirir 58% do capital do Master, envolvendo cerca de R$ 50 bilhões em ativos, acabou rejeitada pelo Banco Central, que identificou riscos sistêmicos e ativos problemáticos fora da negociação.
INTERVENÇÃO, PRISÃO E LIQUIDAÇÃO
Em novembro de 2025, um grupo empresarial anunciou a compra do banco por R$ 3 bilhões, mas a operação foi suspensa. Pouco depois, Vorcaro foi preso ao tentar deixar o país.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zera, investigando a emissão de títulos supostamente falsos e outras fraudes. O Banco Central decretou a liquidação da instituição.
O impacto foi histórico: cerca de 800 mil investidores passaram a ter direito a ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos, estimado em mais de R$ 40 bilhões – a maior quebra já registrada em termos de impacto ao fundo.
O CASO CHEGA AO STF
O processo ganhou contornos políticos quando o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, assumiu a relatoria sob sigilo. Posteriormente, surgiram questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse devido a relações indiretas com investigados.
Reportagens revelaram ligações societárias envolvendo familiares do ministro e fundos relacionados ao banqueiro. Diante da repercussão, Toffoli deixou a relatoria.
Depoimentos indicam divergências sobre a origem dos chamados “créditos podres” negociados entre o Master e o BRB, além de suspeitas de um esquema bilionário de fraudes financeiras.
REDE DE INFLUÊNCIA POLÍTICA E FINANCEIRA
As investigações também revelaram conexões amplas do banco com figuras do cenário político e econômico. Entre os nomes citados em diferentes momentos estão:
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha
O senador Ciro Nogueira
O ex-presidente Michel Temer
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O banco teria investido pesadamente em assessoria jurídica, consultorias e aproximação institucional para viabilizar operações e ampliar garantias regulatórias.
NOVAS FASES DA INVESTIGAÇÃO
Em janeiro de 2026, uma nova fase da operação determinou o sequestro de R$ 5,7 bilhões em bens ligados a Vorcaro, familiares e operadores do mercado financeiro.
Outras instituições relacionadas também sofreram intervenção, ampliando o alcance do caso e levantando preocupações sobre a estabilidade do sistema financeiro.
CONSEQUÊNCIAS E IMPACTOS
O Caso Master expôs fragilidades na supervisão de bancos médios, a dependência de garantias públicas para captação agressiva e os riscos de promiscuidade entre mercado financeiro e poder político.
Analistas consideram que o episódio poderá provocar mudanças regulatórias, especialmente nas regras de lastro de ativos, captação via CDBs e governança bancária.
CONCLUSÃO
Da Faria Lima — símbolo do mercado financeiro — ao STF, o escândalo do Banco Master revela como uma combinação de crescimento acelerado, ativos de risco, relações políticas e falhas de supervisão pode resultar em uma crise sistêmica de grandes proporções.
O caso segue em investigação e promete novos desdobramentos judiciais e políticos, com potencial para redefinir a regulação do sistema financeiro brasileiro.


Comentários
Postar um comentário
Olá, agradecemos a sua mensagem. Acaso você não receba nenhuma resposta nos próximos 5 minutos, pedimos para que entre em contato conosco através do WhatsApp (19) 99153 0445. Gean Mendes...