O período após o Carnaval costuma acender um alerta para a saúde sexual, especialmente pelo aumento da exposição a situações de risco. Especialistas destacam que muitas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) podem evoluir sem sintomas evidentes, o que torna a testagem um instrumento fundamental para diagnóstico e interrupção da cadeia de transmissão.
As ISTs incluem infecções como HIV, sífilis, hepatites virais, HPV, clamídia e gonorreia. Embora tenham características clínicas diferentes, muitas apresentam evolução silenciosa, principalmente nas fases iniciais.
Em entrevista ao G1, o infectologista Julio Croda, informou que isso ocorre porque as infecções frequentemente se instalam em mucosas — como genital, anal ou oral — causando inflamações leves que passam despercebidas. Em muitos casos não há dor, febre, secreção ou outros sinais claros, o que pode gerar falsa sensação de segurança e atrasar a procura por diagnóstico.
A infectologista Maria Isabel de Moraes-Pinto explica que muitas ISTs só são identificadas por exames laboratoriais, reforçando que a testagem é fundamental tanto para o cuidado individual quanto para reduzir a transmissão.
Entre as infecções que mais costumam passar despercebidas estão clamídia e gonorreia, principalmente em mulheres, além de infecções na garganta e no reto. Outras doenças, como hepatites B e C, HIV e sífilis, também podem permanecer assintomáticas por longos períodos. No caso do HIV, quando há sintomas, eles podem ser semelhantes a um quadro gripal inicial ou nem aparecer.
Mesmo sem sinais aparentes, a transmissão pode ocorrer. Os microrganismos podem estar presentes em secreções e mucosas, e a ausência de lesões visíveis não elimina o risco de contágio.
Quando surgem, os sintomas costumam ser discretos e muitas vezes ignorados. Entre eles estão ardor ao urinar, corrimento leve, coceira, dor pélvica discreta, aumento de ínguas nas virilhas, pequenas verrugas ou feridas indolores na região genital, dor ou secreção anal e dor de garganta persistente após sexo oral.
A definição dos exames depende do tipo de exposição e da avaliação médica. Em geral, após relação desprotegida, podem ser solicitados exames de sangue para HIV, sífilis e hepatites virais. Também podem ser indicados testes para clamídia e gonorreia, com coleta de material nos locais de exposição, como região genital, anal ou oral. No caso do herpes, quando há lesão, o exame mais utilizado é o PCR com coleta direta.
Especialistas ressaltam que os testes possuem janela imunológica, período entre a exposição e a possibilidade de detecção, o que pode exigir repetição conforme orientação médica.
O risco de infecção aumenta em relações sexuais sem preservativo, com múltiplos parceiros ou parceiros novos, além de situações como rompimento do preservativo, sexo em grupo e histórico prévio de IST. O uso de álcool e drogas também está associado à redução da percepção de risco.
A ausência de diagnóstico pode trazer consequências importantes. Infecções bacterianas como clamídia e gonorreia podem causar doença inflamatória pélvica, infertilidade e complicações na gestação. O HPV está associado a diversos tipos de câncer, enquanto hepatites B e C podem evoluir para cirrose e câncer hepático.
Profissionais de saúde reforçam que a testagem periódica deve fazer parte do cuidado com a saúde sexual, especialmente após períodos de maior exposição, como o Carnaval. O diagnóstico precoce permite tratamento adequado, reduz complicações e contribui para a diminuição da circulação dessas infecções.


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