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Avanço da influenza A, chamada de “supergripe” nas redes, acende alerta no Brasil

Ministério da Saúde, Fiocruz e Butantan apontam crescimento da circulação do vírus e reforçam que vacinação segue sendo a principal forma de proteção

O Brasil vive, neste início de outono, um aumento da circulação da influenza A, quadro que nas redes sociais e em parte do noticiário tem sido chamado de “supergripe”. Do ponto de vista técnico, porém, os órgãos de saúde não tratam o cenário como uma nova doença, mas como um avanço relevante da gripe sazonal, com impacto crescente sobre casos respiratórios graves em várias regiões do país.

Segundo o Instituto Butantan, o que vem sendo popularmente chamado de “gripe K” ou “supergripe” está ligado a um subclado do vírus influenza A (H3N2). A instituição afirma que não se trata de um novo vírus, mas de uma variação genética de um patógeno já conhecido, identificada no Brasil no fim de 2025. O Butantan também destaca que, embora haja indícios de maior capacidade de transmissão e de escape imune, os dados disponíveis até aqui não indicam aumento comprovado da gravidade da doença por causa dessa variante específica.

No boletim mais recente do Ministério da Saúde, referente à semana epidemiológica 13, a vigilância de SRAG mostra que, nas últimas semanas analisadas, a influenza respondeu por 27% dos vírus respiratórios detectados. Entre os 554 óbitos com identificação viral no período, a influenza apareceu em 43% dos casos, à frente de rinovírus e SARS-CoV-2. O mesmo informe registra que mais de 90% das amostras positivas para influenza A eram de H3 sazonal, e que o chamado subclado K já havia sido identificado em todas as regiões do país.

A Fiocruz, por meio do InfoGripe, vem apontando que a influenza A antecipou sua circulação em relação ao período sazonal mais comum. Na atualização mais recente, divulgada em 9 de abril, a fundação registrou queda dos casos no Norte e no Nordeste, mas aumento no Centro-Sul, incluindo estados como São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O movimento indica que o vírus segue pressionando o sistema de saúde, mas com comportamento regionalizado.

Os sintomas descritos pelo Ministério da Saúde continuam sendo os clássicos da gripe: febre alta, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço intenso, tosse, dor de garganta, coriza ou nariz entupido e calafrios. A orientação oficial é de atenção redobrada para grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades, já que são eles os mais expostos ao risco de agravamento, internação e morte.

Diante desse cenário, o governo federal mantém a campanha nacional de vacinação contra a influenza nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste desde 28 de março, com previsão de continuidade até 30 de maio. O Ministério da Saúde informou a distribuição inicial de 15,7 milhões de doses e reforçou que a vacina é a principal medida para reduzir casos graves, internações e mortes. O Butantan acrescenta que, mesmo sem ter sido formulada especificamente para a chamada gripe K, a vacina de 2026 continua importante na proteção contra formas graves da doença.

Em termos técnicos, o quadro atual recomenda vigilância, vacinação e prevenção, mas não sustenta, até o momento, a ideia de uma nova pandemia. O que os dados mostram é uma circulação significativa da influenza A no Brasil, com impacto relevante sobre síndromes respiratórias graves e necessidade de reforço das medidas de imunização, especialmente entre os públicos prioritários.


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