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PF realiza operação contra fraudes no sistema financeiro e bloqueia até R$ 670 milhões ligados ao Banco Digimais


A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (23) a Operação Miragem, que investiga um suposto esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo a gestão do Banco Digimais. A Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens e valores dos investigados.

Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo. A ação tem como alvos 10 empresas e oito pessoas físicas. Entre os investigados está o empresário e líder religioso Edir Macedo, proprietário do banco desde 2020.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam que administradores da instituição teriam manipulado balanços contábeis, supervalorizado ativos e gerado receitas artificialmente para ocultar a real situação econômico-financeira do banco. O objetivo seria demonstrar uma condição de solvência superior à efetivamente existente perante órgãos reguladores e de fiscalização.

A decisão judicial também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do sequestro e bloqueio de bens. Como Edir Macedo reside no exterior, não foi solicitado mandado de busca e apreensão contra ele nesta fase da operação.

De acordo com a PF, a investigação teve como base relatórios elaborados pelo Banco Central do Brasil, que identificaram graves irregularidades na condução dos negócios da instituição financeira.

As apurações indicam ainda a existência de operações financeiras consideradas temerárias, supostamente semelhantes às que levaram ao colapso do Banco Master, além de possíveis operações realizadas em benefício da empresa controladora do Digimais. Também são investigadas suspeitas de falsificação e manipulação de informações inseridas em sistemas oficiais do órgão regulador.

Os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, por crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela legislação financeira, previstos na Lei nº 7.492/1986.

Histórico do banco

Fundado em 1981, em Porto Alegre (RS), com o nome Banco Renner, a instituição atuou inicialmente no financiamento de veículos e no crédito ao consumidor. Em 1991, passou a operar como banco múltiplo.

Edir Macedo tornou-se acionista minoritário em 2009 e assumiu o controle integral da instituição em 2020, quando o banco passou por um processo de transformação digital e adotou a marca Digimais.

Nos últimos meses, o banco enfrentou mudanças significativas. Em abril de 2026, o BTG Pactual anunciou a assinatura de um acordo para aquisição do controle acionário da instituição, operação que ainda depende de aprovações regulatórias. Paralelamente, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito do Digimais para "CCC(bra)", indicando elevado risco financeiro.

Até o momento, o Banco Digimais não havia divulgado posicionamento oficial sobre a operação da Polícia Federal.


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