Noventa dias após a morte da criança, investigação avança com novas oitivas e aguarda parecer técnico do Instituto Médico Legal para conclusão do inquérito.
Noventa dias após a morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, vítima de uma picada de escorpião em Conchal, a investigação conduzida pela Polícia Civil entrou em uma nova etapa. O inquérito agora aguarda a elaboração de um parecer técnico do Instituto Médico Legal (IML), considerado fundamental para a conclusão das apurações.
Em conversa com o Jornal F5, o delegado responsável pelo caso, Dr. Luiz Henrique Lima Pereira, informou que a documentação médica que ainda estava pendente foi finalmente encaminhada pelo hospital de Araras, permitindo o avanço da perícia.
"A gente recebeu a documentação que faltava do hospital de Araras. Demoraram para responder, mas passaram para a gente. Com o recebimento da documentação médica de Araras, isso foi para o IML", explicou o delegado.
Segundo ele, o material será analisado pelo IML, que realizará um exame baseado em toda a documentação clínica produzida durante o atendimento da criança.
De acordo com o delegado, trata-se de uma análise altamente técnica, que exige avaliação minuciosa dos prontuários médicos, exames e demais documentos relacionados ao atendimento prestado.
"São documentos técnicos. O parecer médico é um parecer demorado. A gente pediu urgência e fica no aguardo."
Oitivas continuam
Enquanto aguarda a conclusão da perícia, a Polícia Civil segue avançando em outras etapas do inquérito.
Conforme informou o delegado, todos os enfermeiros do Hospital e Maternidade Madre Vannini, de Conchal, que estiveram no dia do atendimento, já foram ouvidos. A próxima fase consiste na tomada de depoimentos dos profissionais que atuaram no atendimento em Araras.
"Sem prejuízo, o que a gente já está adiantando são as oitivas. Todos os enfermeiros do hospital de Conchal já foram ouvidos, e agora estamos agendando as oitivas dos funcionários do hospital de Araras."
Somente após a conclusão dessas diligências e do parecer técnico do IML será possível definir os próximos encaminhamentos da investigação.
Relembre o caso
Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por um escorpião em Conchal. O caso gerou ampla repercussão e levantou discussões sobre protocolos de atendimento, disponibilidade de soro antiescorpiônico, estrutura da rede pública de saúde e fluxo de encaminhamento de pacientes entre os municípios.
Paralelamente ao inquérito policial, o Hospital e Maternidade Madre Vannini concluiu sua sindicância interna. Conforme o relatório encaminhado à Polícia Civil, a comissão do hospital concluiu que a criança recebeu os recursos assistenciais disponíveis e compatíveis com a necessidade clínica apresentada naquele momento.
O documento afirma que não foram identificados indícios técnicos objetivos de dolo, negligência deliberada, omissão intencional ou abandono assistencial por parte dos profissionais vinculados ao hospital. A comissão recomendou o arquivamento da sindicância sem aplicação de medidas disciplinares individuais, sugerindo apenas medidas permanentes de aprimoramento dos protocolos assistenciais, capacitação das equipes e organização dos serviços.
Expectativa pelo laudo
Com a documentação médica agora reunida e encaminhada ao Instituto Médico Legal, a expectativa da Polícia Civil está concentrada na emissão do parecer pericial. O laudo deverá fornecer elementos técnicos para auxiliar na análise do atendimento prestado à criança e subsidiar a conclusão do inquérito policial.
Até a conclusão da perícia e das demais diligências, a investigação permanece em andamento, sem definição sobre eventual responsabilização de pessoas ou instituições. A Polícia Civil reforça que o procedimento segue sendo conduzido com base em critérios exclusivamente técnicos e periciais.
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