O número de mortos provocados pelos dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho subiu para 3.535, segundo novo balanço divulgado nesta segunda-feira (6) pelas autoridades do país. A tragédia também deixou 16.740 feridos e 17.854 pessoas desalojadas, enquanto milhares de famílias ainda enfrentam as consequências da destruição causada pelos tremores de magnitudes 7,2 e 7,5, que ocorreram com poucos segundos de intervalo.
Os terremotos devastaram bairros inteiros de Caracas e, principalmente, o estado costeiro de La Guaira, onde equipes de resgate continuam trabalhando na retirada de corpos sob toneladas de escombros. De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, 6.462 pessoas foram resgatadas, 86.794 famílias receberam algum tipo de assistência, 190 edifícios desabaram e outras 856 construções sofreram danos.
Embora o governo venezuelano não divulgue um número oficial de desaparecidos, plataformas criadas por voluntários e organizações independentes indicam que dezenas de milhares de pessoas ainda não foram localizadas. Organizações internacionais também alertam que o número de desaparecidos permanece elevado, dificultando uma estimativa definitiva da dimensão da tragédia.
Corpos são enterrados sem identificação
Com os necrotérios lotados e os hospitais sobrecarregados, as autoridades iniciaram o sepultamento de vítimas que ainda não puderam ser identificadas.
No cemitério La Esperanza, em Catia La Mar, mais de 150 corpos foram enterrados em uma longa sequência de valas individuais. Cada sepultura recebeu uma cruz branca, um pequeno buquê de flores e uma placa contendo um código de identificação e a data da morte — 24 de junho de 2026 — para permitir eventual reconhecimento futuro pelos familiares.
Antes dos sepultamentos, todos os corpos foram fotografados e catalogados pelas autoridades. Segundo moradores da região, a medida busca garantir um enterro digno às vítimas, sem impedir futuras identificações.
Governo nega risco de convulsão social
Durante as comemorações da independência da Venezuela, realizadas em meio ao luto nacional, a presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que o país vive um momento de solidariedade e descartou a possibilidade de uma convulsão social provocada pela insatisfação da população.
Apesar da declaração, moradores das áreas mais atingidas afirmam que a resposta do poder público tem sido insuficiente. Em diversos bairros de La Guaira, familiares continuam removendo escombros com equipamentos improvisados na tentativa de localizar parentes desaparecidos.
Uma das histórias que simbolizam o drama vivido pela população é a de Zuly, mãe de um jovem de 23 anos que trabalhava em uma padaria destruída pelos tremores. Desde o desastre, ela permanece próxima ao local onde o prédio desabou.
"Encontrei a moto dele, encontrei o capacete. Sei que ele está ali. Não saio daqui sem meu filho", declarou à agência AFP.
Busca por sobreviventes dá lugar à recuperação de vítimas
Após quase duas semanas de operações ininterruptas, diversas equipes internacionais de busca e resgate começam a deixar o país. O foco das autoridades passa gradualmente do resgate de sobreviventes para a recuperação de corpos, remoção dos escombros e reconstrução das áreas devastadas.
Enquanto isso, organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), ampliam a assistência humanitária diante da pressão sobre hospitais, abrigos temporários e serviços essenciais nas regiões atingidas.

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