Corte atinge mais de um quarto da rede física e ocorre em meio a prejuízos bilionários, consumo pressionado, crédito caro por conta dos juros altos no Brasil e necessidade de melhorar a geração de caixa
A Casas Bahia anunciou o fechamento de 298 lojas e demitiu cerca de 1,9 mil funcionários em todo o Brasil entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14), dentro de uma ampla reestruturação para reduzir despesas e enfrentar a pressão sobre seus resultados financeiros. Os fechamentos correspondem a aproximadamente 28,7% da rede física.
Os desligamentos ocorreram em duas etapas: aproximadamente 600 funcionários na quinta-feira e 1,3 mil na sexta-feira. Há estimativas publicadas de que o número possa se aproximar de 3 mil trabalhadores.
Por que a Casas Bahia está fechando lojas?
O movimento ocorre em um cenário de dificuldades financeiras. A companhia registrou prejuízo de aproximadamente R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre de 2026 e vem adotando medidas para reduzir custos e melhorar sua capacidade de geração de caixa.
Entre os fatores que pressionam o varejo estão o elevado endividamento das famílias, consumo enfraquecido e crédito caro por conta dos altos juros. Em julho, o percentual de famílias brasileiras endividadas chegou a 82%, enquanto os juros elevados continuam afetando tanto consumidores quanto as despesas financeiras das empresas.
A própria operação da Casas Bahia também mostra uma mudança no comportamento do consumidor. Enquanto as vendas das lojas físicas recuaram 1,8% no primeiro trimestre, as vendas digitais de produtos próprios avançaram 26%, reforçando o peso crescente do comércio eletrônico na estratégia da varejista.
A empresa já havia passado por uma recuperação extrajudicial em 2024, envolvendo renegociação de sua estrutura financeira. Agora, o fechamento de quase 300 unidades representa uma redução significativamente mais intensa da presença física da companhia.
Neste sábado, o fechamento das lojas e as demissões também ganharam um desdobramento trabalhista. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região anunciou que pretende ingressar com ação coletiva questionando a forma como as dispensas foram realizadas. Até a publicação da informação, a Casas Bahia não havia se manifestado sobre a iniciativa do sindicato.

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