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Casas Bahia pede recuperação judicial após prejuízo de R$ 10,1 bilhões e fechamento de 298 lojas

Grupo acumula dívida de R$ 17,3 bilhões e atribui agravamento da situação financeira aos juros elevados, restrição de crédito e pressão sobre o consumo

O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e confirmar o fechamento de 298 lojas no país. O pedido foi divulgado pela companhia na noite de domingo (16).

A recuperação envolve aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e foi apresentada à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A decisão havia sido aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador em caráter de urgência. Uma Assembleia Geral Extraordinária deverá ser convocada para ratificar a medida.

A crise ganhou nova dimensão após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que havia sido adiado. O prejuízo de R$ 10,1 bilhões foi cerca de 18 vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025. Parte expressiva desse resultado, entretanto, decorre de efeitos contábeis não recorrentes, estimados em R$ 9,1 bilhões e sem impacto imediato equivalente no caixa. Excluídos esses efeitos, o prejuízo ajustado foi de aproximadamente R$ 978 milhões.

No balanço, a varejista também confirmou o encerramento de 298 lojas, equivalente a aproximadamente 29% de sua estrutura anterior.

Segundo a companhia, a deterioração financeira ocorreu em meio a um cenário de juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro. A empresa também informou que alternativas de obtenção de liquidez que estavam sendo estruturadas não se concretizaram.

O que acontece agora?

A recuperação judicial não significa o encerramento imediato das atividades. O mecanismo previsto na legislação permite que uma empresa em dificuldade financeira tente renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça, buscando preservar suas operações enquanto apresenta um plano aos credores.

O pedido abrange o Grupo Casas Bahia e outras empresas controladas, incluindo operações de logística, comércio eletrônico, tecnologia e a Indústria de Móveis Bartira.

A Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024, envolvendo aproximadamente R$ 4,1 bilhões. Agora, diante do agravamento da situação financeira, a companhia optou pela recuperação judicial.


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