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Marabraz pede recuperação judicial com dívida de R$ 140 milhões

Tradicional rede de móveis e eletrodomésticos afirma que continuará funcionando normalmente e atribui dificuldades a juros elevados, endividamento, restrição de crédito e conflitos societários e familiares

A rede de móveis e eletrodomésticos Marabraz protocolou no sábado (15) um pedido de recuperação judicial, envolvendo aproximadamente R$ 140,2 milhões em dívidas. O processo reúne cinco empresas ligadas à operação da varejista.

A medida busca permitir a reorganização financeira da companhia e a renegociação de compromissos com credores, preservando a continuidade das atividades.

Segundo informações apresentadas pela empresa, as dificuldades financeiras foram provocadas por uma combinação de fatores, entre eles juros elevados, endividamento e dificuldades de acesso a crédito, além de conflitos societários e familiares que teriam afetado a estrutura utilizada para obtenção de financiamentos.

Historicamente, imóveis pertencentes à família controladora eram utilizados como garantias em operações financeiras destinadas, entre outras finalidades, ao financiamento de estoques, fornecedores e capital de giro. As disputas familiares teriam dificultado a utilização desses ativos como garantia e, consequentemente, restringido o acesso da companhia ao crédito.

Lojas devem continuar funcionando

A Marabraz informou que pretende manter suas operações e lojas abertas durante a recuperação judicial, além de preservar empregos e as relações comerciais com clientes, fornecedores e parceiros.

A rede já chegou a contar com 135 unidades, distribuídas pela Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e interior paulista.

O pedido de recuperação judicial não significa falência ou encerramento automático das atividades. O instrumento permite que empresas em dificuldade financeira busquem reorganizar suas dívidas e apresentem uma proposta de pagamento aos credores enquanto tentam manter suas operações.

Segundo grande caso no varejo de móveis

O pedido da Marabraz ganha ainda mais relevância porque ocorre praticamente ao mesmo tempo que outra movimentação de grande porte no varejo nacional.

O Grupo Casas Bahia também protocolou pedido de recuperação judicial, neste caso envolvendo cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. A companhia atribuiu o agravamento de sua situação financeira, entre outros fatores, aos juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo.

A ocorrência praticamente simultânea dos dois casos chama atenção para o momento enfrentado pelo varejo de móveis e bens duráveis, segmento particularmente dependente de crédito, parcelamento e capacidade de consumo das famílias.

No caso da Marabraz, entretanto, há também fatores específicos relacionados à estrutura patrimonial e aos conflitos societários apontados no pedido. Por isso, os dois processos possuem dimensões e circunstâncias diferentes e não devem ser interpretados, isoladamente, como resultado de uma única causa.

Os próximos passos da recuperação deverão indicar as condições propostas para renegociação das dívidas e permitir dimensionar com maior precisão os impactos sobre credores, fornecedores e a própria operação da Marabraz.


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