Encontro na Band teve confronto de dados, discussão sobre PCC, tarifas dos Estados Unidos e disputa pelo protagonismo de investimentos federais e estaduais
Os candidatos ao Governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) participaram, neste domingo (9), na Band, do primeiro debate do primeiro turno. O encontro foi marcado pela confrontação de dados e pela tentativa dos dois candidatos de ampliar a disputa estadual para temas da política nacional.
Sem ataques pessoais predominantes, Tarcísio concentrou sua participação na defesa dos resultados de sua gestão, enquanto Haddad questionou indicadores apresentados pelo governador e destacou investimentos e ações do governo federal em São Paulo. O petista também buscou associar Tarcísio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto o governador passou, ao longo do debate, a defender o aliado e a fazer críticas ao governo Lula.
Educação abre confronto de números
Na educação, Haddad afirmou que São Paulo perdeu posições em indicadores de qualidade do ensino médio e citou desempenho inferior à média nacional na alfabetização de crianças na idade adequada. Também criticou a utilização de plataformas digitais na rede estadual.
Tarcísio rebateu destacando a expansão do ensino profissionalizante, das escolas de tempo integral e de programas de recuperação da aprendizagem. Segundo o governador, o número de estudantes do ensino médio em formação regular e profissional passou de 12% para 42%.
Segurança e crime organizado elevam temperatura
A segurança pública esteve entre os principais pontos de divergência. Tarcísio defendeu os resultados de sua administração e citou operações de inteligência, aumento do efetivo policial e ações destinadas a atingir financeiramente organizações criminosas.
Haddad direcionou críticas especialmente aos indicadores de violência contra a mulher e defendeu a criação de um gabinete institucional de segurança pública, reunindo governo estadual, polícias, Ministério Público, Polícia Federal, Receita Federal e Coaf para ampliar o compartilhamento de inteligência e o combate financeiro às facções.
Um dos momentos mais tensos ocorreu quando Tarcísio mencionou uma fotografia de Haddad ao lado de uma mulher que, segundo o governador, estaria ligada ao tráfico de drogas na Favela do Moinho. Haddad reagiu, questionou por que ela não havia sido presa naquele momento caso sua atuação criminosa fosse conhecida e afirmou que o enfrentamento ao crime organizado não pode se limitar à ação ostensiva.
Tarifaço e túnel Santos-Guarujá entram na disputa
Os candidatos também divergiram sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Haddad defendeu as medidas adotadas pelo governo federal para apoiar empresas e buscar novos mercados. Tarcísio destacou ações estaduais voltadas aos exportadores, entre elas antecipação de créditos acumulados de ICMS e linhas de financiamento.
No debate sobre o túnel Santos-Guarujá, ambos reconheceram a parceria entre União e Estado, mas disputaram o protagonismo sobre a viabilização e o financiamento do projeto.
Privatizações dominam terceiro bloco
No último confronto direto, Haddad questionou Tarcísio sobre a privatização da Sabesp, concessões de transporte e implantação do pedágio eletrônico free flow. O governador respondeu citando investimentos em saneamento, infraestrutura, habitação e transporte.
A discussão avançou para saúde, investimentos federais em São Paulo e resultados das políticas estaduais, novamente com os candidatos apresentando indicadores distintos para sustentar suas posições.
Nas considerações finais, Tarcísio pediu novo mandato para dar continuidade à gestão e prometeu ampliar investimentos em infraestrutura, transporte, educação e tecnologia. Haddad afirmou que o governador não cumpriu parte das promessas e defendeu uma mudança na condução do Estado.

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