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Operação mira ex-vereador Milton Leite e investiga possível controle do PCC sobre empresas de ônibus de São Paulo

Ministério Público afirma que integrantes da facção teriam influência sobre 12 das 22 empresas do sistema; investigação apura lavagem de dinheiro, corrupção e financiamento eleitoral

Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil foi deflagrada nesta quinta-feira (17) para investigar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista. Um dos principais alvos é Milton Leite, do União Brasil.

Batizada de Operação Vectura Corrupta, a ação prevê o cumprimento de 13 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão contra políticos, advogados, ex-agentes públicos e pessoas apontadas como intermediárias da organização criminosa.

De acordo com o Ministério Público, a investigação identificou indícios de que integrantes do PCC teriam controle ou influência sobre 12 das 22 empresas responsáveis pelo transporte coletivo municipal. A suspeita é de que as companhias fossem utilizadas para lavar recursos provenientes de atividades criminosas, além de favorecer interesses políticos e financiar campanhas eleitorais.

Milton Leite é investigado sob a suspeita de exercer o controle de fato da Transwolff, empresa que já havia sido alvo de outra operação por supostas ligações com a facção. Os investigadores também analisam documentos, movimentações financeiras e mensagens obtidas mediante autorização judicial.

O ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans), Levi de Oliveira, e o candidato a deputado Danilo Morgado também aparecem entre os investigados. Segundo a apuração, Morgado teria recebido apoio financeiro proveniente do esquema para sua campanha eleitoral.

Milton Leite não havia sido localizado no início da operação. Em manifestação divulgada pela imprensa, ele afirmou que estava viajando, negou estar foragido e informou que deverá se apresentar às autoridades. O ex-vereador também nega envolvimento com o PCC ou participação em atividades criminosas.

A Transwolff já declarou, em manifestações anteriores, que a empresa e seus dirigentes não possuem relação com atividades ilícitas.

A operação é um desdobramento de investigações iniciadas nos últimos anos sobre a participação do crime organizado em empresas concessionárias de transporte público. As medidas desta quinta-feira têm caráter cautelar e buscam reunir novas provas. 


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